Projeto da UEL devolve as florestas à bacia do Tibagi
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), são 840 projetos de pesquisa em andamento. Muitos deles devem gerar soluções para dúvidas que ainda não foram respondidas pela ciência. Vanerli Beloti, chefe da Divisão de Informação e Transferência de Tecnologia, cita exemplos de pesquisas já consolidadas: o bioinseticida produzido a partir da bactéria Bacillus thuringiens, que mata pernilongos como o aedes aegypt, transmissor da dengue; a armadilha de controle de pragas, que evita a aplicação de pesticidas primeira patente a ser comercializada com pagamento de royalties para a UEL; e uma técnica inovadora para reaproveitamento de baterias de celulares.
Para Vanerli, o atual desafio das instituições de pesquisa é fazer a tecnologia chegar às mãos de quem utilizará os conhecimentos. O projeto de reflorestamento de parte da bacia do Rio Tibagi, com espécies nativas da região, é um exemplo bem-sucedido desse processo. Coordenado pelo professor José Marcelo Torezan, do Laboratório de Biodiversidade e Restauração de Ecossistemas (Labre), o programa desenvolveu a partir de informações coletadas por mais de dez anos pelo extinto projeto Tibagi uma tecnologia para reflorestamento de grandes áreas.
A oportunidade surgiu quando a empresa Duke Energy, que comanda a exploração da energia gerada pela Usina Capivara (instalada nos rios Paranapanema e Tibagi), se comprometeu com o Ministério Público (MP) a amenizar o impacto ambiental causado pelo alagamento. Torezan conta que, antes de elaborar qualquer projeto, a Duke Energy estabeleceu a meta de reflorestar, em sete anos, 4,2 mil hectares (ha) com espécies nativas. A área, segundo ele, é muito grande para um projeto dessa natureza. ''São 600 ha por ano'', comparou.
Desafio lançado ao pesquisador, a equipe passou a pensar numa maneira de produzir mudas em larga escala para depois plantá-las nas regiões antes ocupadas pela floresta. As primeiras mudas foram produzidas em tubetes (que substituem os tradicionais saquinhos) no laboratório da UEL. A tecnologia foi adaptada da técnica já consolidada para reflorestamento com eucaliptos.
Mudas prontas, os estudiosos quebraram a cabeça para viabilizar o plantio e a irrigação nos tubetes. O trabalho resultou em uma tecnologia para reflorestamento em larga escala com espécies nativas que, hoje, é repassado ao Programa Estadual de Matas Ciliares. Nas margens do Tibagi, a tecnologia foi repassada ao Consórcio Intermunicipal da Bacia Capivara (Cibacap), composta por 11 municípios, que produz de 1,3 milhão a 1,5 milhão de mudas por ano. O plantio emprega 300 pessoas.
O andamento dos trabalhos é estável. O desafio dos pesquisadores, atualmente, é conseguir manipular outras espécies além das 70 cadastradas. Outra necessidade é a reposição da fauna, incluindo micróbios do solo e insetos responsáveis pela polinização das plantas. Por fim, será preciso avaliar o impacto da extração das sementes utilizadas para produção das mudas. Em resumo, é preciso garantir biodiversidade suficiente para a floresta sobreviver sozinha. A tarefa é complicada. ''É uma mata em meio a um mar de soja'', comparou.(C.A.)





