Proibição complicou viabilidade
Mário CésarMarcelo: plano é reduzir custos e ampliar mercadoMal tinham começado a se estruturar no mercado da cidade, há cerca de três anos, as empresas de suco de laranja natural sofreram sua primeira derrota importante. As laranjinhas foram proibidas de permanecerem no anel central da cidade, local de maior fluxo da população. Perderam, de uma só vez, a possibilidade de propaganda para o produto - exposição para despertar o desejo de consumo - e oportunidades de venda. Até hoje, as laranjinhas estão limitadas às regiões periféricas.
O Código de Posturas do Município limita o número de ambulantes nas ruas centrais e já não há vagas para as laranjinhas. Há quem diga que a proibição só se consumou porque os donos de quiosques e lanchonetes fixas reclamaram da concorrência. A venda de sucos naturais em carrinhos só foi liberada no ano passado. Mas, para Marcelo Yassushi Ishizaki, proprietário da Pura Fruta, não foi só esta proibição que atrapalhou o crescimento das empresas da área.
Segundo ele, o consumo de suco natural sofreu uma grande queda porque houve um crescimento muito grande de laranjinhas autônomos. Diz que as pessoas se entusiasmaram com a perspectiva de ganhar um dinheirinho, começaram a produzir em suas casas sem nenhuma fiscalização e a vender um produto sem garantia de qualidade. Acreditavam que qualquer um podia fazer suco. Mas acabaram estragando o mercado para quem trabalha sério. Depois de tomar um suco misturado ou até água com Tang, o consumidor ficou assustado e cauteloso, acredita.
A comercialização ambulante de suco natural é regulamentada por um ato executivo e, para a laranjinha circular no município, o proprietário tem de conseguir o alvará da Companhia Municipal de Urbanismo (Comurb), que também faz a fiscalização. O assessor comercial da Comurb, Jonas Vieira da Silva, explica que a licença só é concedida a quem apresenta documento da vigilância sanitária, contrato social, CGC e alvará da prefeitura (para envazadoras).
Cadastrados na Comurb há 49 laranjinhas; mas a própria Companhia reconhece que há muitos mais circulando pela cidade. Conseguimos reduzir sensivelmente o número de laranjinhas irregulares e os fiscais estão orientados a conferir a patente do produto e sua validade, comenta. No início do ano, diz Silva, as apreensões eram frequentes. No verão, os fiscais vão intensificar o trabalho.
PlantioMarcelo e sua noiva montaram a Pura Fruta há dois anos e dizem terem cometido apenas um erro. Como as perspectivas eram boas, reinvestimos o dinheiro no negócio, comprando equipamentos. Mas a situação ficou complicada, comenta. O equipamento que Marcelo comprou no Rio de Janeiro a US$ 6 mil - máquina de suco e de lavar e polir as laranjas - pode ser encontrado hoje pela metade do preço.
Mesmo assim, Marcelo aposta na atividade e já plantou 1.500 pés de laranja em um sítio da família em Bela Vista do Paraíso. Hoje, como a maioria das empresas que trabalham na área, ele compra a matéria-prima no Mercadão do Povo e no Ceasa. Vamos reduzir os custos e aumentar o mercado, acredita. A Pura Fruta processa 230 quilos de laranja/dia e coloca no mercado cerca de 250 embalagens/dia.
A renda bruta mensal da empresa não ultrapassa os US$ 4 mil. Deduzindo-se os custos fixos... Marcelo diz que o negócio já foi melhor, mas espera lucros a médio e longo prazo. Apenas ele e a noiva trabalham no local. Uma vantagem é que a atividade ocupa apenas as primeiras horas da manhã - até as 9 horas eles estão liberados. (C.B.)





