A casa própria ainda é um sonho distante para muitas pessoas. Em Londrina, mais de 20 mil famílias estão na lista da Companhia de Habitação (Cohab) aguardando um financiamento para a casa própria. Este número, segundo o presidente da Cohab, Wilson Mandelli, foi atualizado há pouco tempo. ‘‘Antes de fazermos o recadastramento, esta lista tinha quase 33 mil nomes. Deste total, a chamada já está no 8.500º. Tirando uma porcentagem de desistentes, temos hoje 20.382 pessoas aguardando.’’
Por outro lado, cerca de 1.200 famílias estão vendo seu sonho tornar-se realidade. A Companhia Paranaense de Habitação (Cohapar), em parceria com a Cohab de Londrina, implantou vários programas habitacionais na cidade que prevêem a construção de 1.221 unidades até meados do ano que vem.
Um dos programas habitacionais prevê a construção de 556 moradias diversificadas, de até 54 metros quadrados, em um terreno ao lado do conjunto Ilda Mandarino (zona norte). ‘‘É o Residencial Cabo Frio, que tem prazo de entrega estipulado em 120 dias’’, afirma Mandelli. Estas unidades são destinadas a pessoas com renda familiar de até seis salários mínimos.
A Prefeitura fechou com a Cohapar outra parceria para a execução de 200 casas de 44 metros quadrados no Residencial Tibagi, também na zona norte. Este programa, explica Mandelli, é destinado a pessoas com renda de até três salários mínimos e será executado no processo de autogestão, ou seja, o mutuário recebe os recursos e ele mesmo compra o material e contrata a mão-de-obra para a construção. ‘‘Nós passamos o dinheiro para a própria pessoa construir sua casa.’’
Neste programa, o mutuário recebe em parcelas valores de até R$ 5.200,00, que serão financiados em 240 meses. ‘‘As pessoas executam uma casa em que elas sabem que vão morar. Com isso, vão fiscalizar a obra, além de procurar qualidade nos materiais e um preço melhor.’’
Ao lado do Jamile Decquech (zona sul) será construído outro conjunto habitacional, o Jamile Decquech II. Executado na mesma modalidade do Residencial Tibagi, ou seja, em sistema de autogestão e para pessoas com renda de até três salários mínimos, este programa prevê a construção de 369 casas de 44 metros quadrados, que serão executadas em duas fases. A primeira com 200 unidades e a segunda, com 169. ‘‘Todos esses acordos estão concretizados para este ano’’, garante Mandelli.
A Cohapar e a Prefeitura de Londrina também estão desenvolvendo um programa para quem tem um lote quitado em qualquer parte da cidade. Serão casas de 44 metros quadrados construídas em lotes isolados e em sistema de autogestão, para pessoas com renda familiar de até 3 salários mínimos. A diferença deste programa é que ele não constrói conjuntos habitacionais. Para participar, a pessoa precisa ter o lote quitado com a escritura definitiva em seu nome. O terreno pode ser em qualquer ponto da cidade, desde que tenha infra-estrutura. A pessoa também não pode ter mais de um lote.
Mandelli conta que este programa não atingiu sua oferta total. ‘‘Tínhamos vagas para 200 inscritos, mas somente 96 conseguiram.’’ Um dos problemas foi a falta do terreno. Para os que conseguiram, o prazo de construção estipulado é de quatro meses.
O presidente da Cohab adianta que os recursos para os financimentos são do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) da Caixa Econômica Federal, repassados através da Cohapar. ‘‘Mas hoje existe uma realidade nova no País. O Governo Federal tem colocado a moradia em segundo plano. Hoje, o FGTS está com medo de dar novos créditos por causa da inadimplência muito alta.’’
Em todo caso, a Cohab festeja a parceria com a Cohapar. ‘‘Estas parcerias foram muito positivas, tanto que já temos acordos para o ano que vem.’’ Porém, Mandelli não quer adiantá-los. Usando palavras do prefeito Antonio Belinati, ele garante: ‘‘Vamos fazer aquilo que é possível ser feito’’.

mockup