Uma média de 200 adultos e crianças é atendida no programa Escolarização Hospitalar do Hospital Erasto Gaertner. A maioria recebe atendimento dos professores no próprio leito, um número menor opta por ter aulas na salinha do programa, onde também é possível acessar a Internet. Os pacientes matriculados no Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) e na Educação Infantil tem aula na parte da manhã, já os maiores que estudam no Ensino Fundamental e Médio recebem atendimento à tarde.
"O importante é se ocorreu o aprendizado, se foi de qualidade e ocorreu de forma tranquila. O programa não é obrigatório, mas uma política pública. Temos uma grande adesão, principalmente dos pais, que incentivam os filhos a participarem", conta a pedagoga do programa no Erasto Gaertner, Elaine Marques. "Não existe aquela rigidez da escola regular, respeitamos a condição de saúde dos pacientes. Já teve casos da gente conseguir reverter uma reprovação, através de um processo na Secretaria de Educação. Documentamos todas as atividades registrando dia, hora e o conteúdo trabalhado, uma formalização necessária para legitimar esse tratamento especial", informa.
"Há casos de pacientes em idade escolar que não estão matriculados por conta da doença e do tratamento que é muito agressivo. Muitos ficam envergonhados com a aparência física decorrente do tratamento que deixa a pessoa magra, pálida e carequinha", justifica ela, acrescentando que, nesses casos, o programa tenta conseguir uma escola para os pacientes serem matriculados. "A intenção é que eles não sintam um impacto negativo quando voltarem para o seu contexto social. Nosso trabalho vai além da questão pedagógica. Buscamos garantir os direitos do pacientes como cidadãos, mas também queremos ajudá-los a passar por essa etapa difícil da vida", explica Elaine.
Diariamente, a pedagoga faz uma relação diária dos pacientes que terão aula nos leitos, de acordo com a disposição física e emocional de cada um. "Me marcou muito a perda de uma paciente em 2007. Fui até o quarto dela para saber se poderia ter aula, apesar de ver a plaquinha ‘não perturbe’, na frente. Os pais já estavam rezando em torno da menina e me pediram para eu me retirar. Mesmo muito mal, ela tirou o respirador e disse que eu colocasse o nome dela na lista porque queria ter aula. Eram 9 horas da manhã. Duas horas depois ela faleceu", lembra. "Veja como o estudo é importante para os pacientes. Nunca esqueci disso e vou em todos os quartos para saber se querem aula, em qualquer que seja a situação", disse Elaine. (FG.)

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