PROFISSÕES - Arte com ciência
No mundo atual, tão importante quanto evitar a extinção de animais e vegetais é descobrir novas espécies que possam ser utilizadas por segmentos industriais, como o farmacêutico, para beneficiar o homem. Para que uma nova espécie seja cientificamente comprovada, é necessário que ela seja minuciosamente descrita. É aí que entra o trabalho valioso de um profissional para o qual o mercado tende a crescer à medida que crescem as pesquisas na área ambiental: o ilustrador botânico.
Trata-se de uma carreira com dois mercados bem definidos: artístico e científico. A ilustração em cores é destinada a colecionadores, exposições e confecção de livros didáticos e infantis. A ilustração científica, por sua vez, é voltada à confecção de pranchas acadêmicas, com as espécies da flora e suas características. Enquanto a ilustração artística é subjetiva, a botânica é caracterizada pela exatidão, com detalhes cuja escala é o micrômetro a milésima parte de um milímetro.
Transpor para as pranchas os microscópicos detalhes de uma nova espécie da flora é parte da tarefa diária de Diana Carneiro, que mora em Curitiba e atua profissionalmente na área há 23 anos. Desde criança, gostava de desenhar. Quando cursou Ciências Biológicas, ilustrava os cadernos como uma maneira de estudar os conteúdos da faculdade. Diana deu aulas de Biologia por mais de duas décadas e, quando deixou o magistério, decidiu se dedicar à paixão pela arte.
Para se especializar na profissão, fez uma segunda graduação, desta vez em Pintura, na Escola de Belas Artes e Música do Paraná. Ainda ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Margaret Mee e passou um semestre na Inglaterra, com tutoriais dentro do Jardim Botânico Real de Kew, um dos maiores e mais antigos do mundo. Um de seus trabalhos mais recentes foi o de retratar uma nova espécie de planta carnívora que ocorre no Paraná.
Para trabalhar, o ilustrador botânico necessita de uma série de materiais, especialmente para quem segue a linha acadêmica, como microscópio e lupa, além dos objetos de pintura do nanquim à aquarela. O preço de uma obra pode variar de R$ 400 a R$ 4 mil.
A formação de um ilustrador botânico contém um diferencial: além do curso em Belas Artes, ele precisa do aporte da formação biológica para obter êxito na carreira.
Em 1995, Diana Carneiro e outros artistas o Centro de Ilustração Botânica do Paraná, localizado no Alto da Glória, em Curitiba. A escola forma anualmente 30 ilustradores, como o novato Alessandro Cândido, que participou do curso em 2014 e já pegou seus primeiros trabalhos. Ele admite que o mercado é pequeno e que ainda precisa dar aulas para se sustentar, mas ressalta a importância cultural da nova profissão.
"Não é um mercado que precisa de muitas pessoas", afirma Cândido. "Se um pesquisador encontra um ilustrador, geralmente eles vão trabalhar juntos por toda a vida. Mas eu acredito que deveria ser bem mais divulgado porque, mesmo para quem não vai trabalhar, a ilustração te leva a observar mais a natureza e ver a importância dela."
Serviço
Há algumas opções de cursos para quem deseja se especializar em ilustração botânica, como o Centro de Ilustração Botânica do Paraná (http://www.cibp.com.br), a Fundação Flora, sediada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (http://fundacaoflora.org.br), e núcleos mantidos em algumas universidades, como a de São Paulo (USP) e Federal de Minas Gerais (UFMG).





