Profissionais sofrem alto risco de assaltos
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sábado, 27 de agosto de 2005
Ás vezes, sem querer, prestam serviço para os traficantes 
Enfrentar uma realidade na qual os acidentes de trânsito são um fator comum não é o suficiente para os motociclistas de grandes cidades, em especial para aqueles que exercem uma profissão que depende do uso dos veículos. Entregadores e mototaxistas, mais do que os motociclistas comuns, ainda correm o alto risco de assaltos e da prestação de serviços às escuras para traficantes, já que não cabe ao profissional perguntar que tipo de encomenda ele carrega.
Nestes casos, o indiciamento por tráfico é realizado sob qualquer hipótese, pois o profissional não tem como comprovar que não sabia do conteúdo do pacote transportado.
Em Londrina, motocicletas são roubadas quase no mesmo ritmo em que saem das concessionárias. Segundo o tenente Ricardo Eguedis, do Serviço de Comunicação da Polícia Militar, o organismo registrou o roubo ou furto de 183 motos nos primeiros seis meses deste ano. Deste total, a estimativa é de que somente a metade seja recuperada, nem sempre em condições de uso. ''Uma das principais práticas das quadrilhas especializadas no roubo de motos é o uso para a produção de dublês'', explica o tenente. No caso, dublê é a moto que aproveita-se dos registros documentais de um outro veículo para ser ''esquentada'' e revendida, por preços bem inferiores ao de mercado.
Outro fator que colabora decisivamente para o grande número de furtos e roubos de motos é que este é o veículo mais utilizado por bandidos na prática de crimes. A Polícia Civil de Londrina não tem números para comprovar a informação, mas sabe-se que justamente as características que tornam o vecículo popular fazem das motos o principal meio de transporte para criminosos: a agilidade no trânsito.
Graças a um trabalho realizado em conjunto com os cerca de mil mototaxistas e entregadores filiados à Associação de Londrina, Edmara Oliveira, garante que o número de roubos a motos caiu em 2005. A atuação efetiva da Polícia, segundo ela, também colaborou para este tipo de ocorrência. ''Nos piores momentos que vivemos na cidade, chegávamos a registrar o roubo de até cinco motos por semana. Desde então, passamos a trabalhar em conjunto: quando uma moto é roubada, todos os mototaxistas se unem'', conta.
Se no caso dos assaltos, ações conjuntas e efetivas mostram resultados, quando o assunto é tráfico, a história muda de figura. Desde que passaram a entregar e receber encomendas como forma de agregar valor ao serviço que prestam, involuntariamente os profissinais da motocicleta sujeitaram-se ao tráfico de drogas. Nesta direção a conversa é sempre velada e cuidadosa, mas todos admitem: podem ser contratados, sem saber, para prestar serviços a um traficante.
Ferreira dá um exemplo claro de que o risco de ser usado como ''avião'' para o transporte de drogas é frequente. ''Uma vez um cliente me perguntou se eu 'fazia boca' (viagens para pontos de venda de drogas). Era uma pessoa bem aparentada, então imaginei que fosse um usuário buscando um meio para comprar drogas sem se comprometer'', conta.
O problema é tão comum que, segundo o superintendente da Polícia Civil de Londrina, Francisco de Assis, já existe um esquema especial em funcionamento nos distritos policiais da cidade para o caso de algum preso receber uma encomenda entregue por um motoboy. ''Quando alguém quer entregar bebidas ou drogas para um preso, nunca vem pessoalmente. Por isso manda um mototáxi. Somos obrigados a retê-lo na delegacia enquanto não terminarmos a revista do produto que ele trouxe'', explica Assis. No caso de um flagrante, a autuação é feita sem questionamentos. ''Se o mototaxista não sabia que transportava droga, não vem ao caso. Ele vai ter que explicar e provar isso para a Justiça. A autuação por tráfico, de qualquer forma, vai ser lavrada'', completa o superintendente.
Com a experiência adquirida ao longo do tempo e depois de vários indiciamentos, os motociclistas adquiriram informações suficientes para evitar este tipo de ocorrência. A Associação e a Polícia Civil recomendam que, para o transporte de encomendas, o profissional peça o nome, o RG e o endereço de quem o contratou. ''Apesar de constranger um pouco o cliente, é uma boa forma de se proteger'', diz Assis.(A.M.)


