Profissionais sem fronteiras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de setembro de 2011
Francismar Lemes <br> Especial para a FOLHA 
''O radar do mundo do trabalho mudou de direção, apontando para profissionais que, além de uma sólida formação, detenham múltipas experiências. Empresas e organizações estão de olho nos que têm mais a oferecer do que só portifólio. Os que se preparam para entrar no mercado, por meio da escolha da profissão e do vestibular, também precisam desenvolver maturidade comportamental.
Fenômenos, como o cofundador da Apple, Steve Jobs, que revolucionou a relação do homem com a tecnologia, mudaram ainda as ideias sobre o mercado profissional. Talento criador de um novo mundo tecnológico, Jobs foi capaz também de projetar coisas mais simples, como escadas de vidro para lojas da Apple.
''Hoje, o que as empresas querem é performance. O que interessa é quantos gols o jogador consegue fazer e não de quantos jogos participou'', exemplifica o consultor empresarial na área de Desenvolvimento Humano, Wellington Moreira, acrescentando que o mercado exige ainda maturidade comportamental, como saber se adaptar às situações, pontualidade, cordialidade, entre outros requisitos.
Trocando em miúdos, as empresas querem boa formação profissional. A escolha pelas melhores instituições de ensino é importante no planejamento de uma carreira profissional. Porém, as companhias procuram identificar outras características no candidato a uma vaga.
''Antigamente, as pessoas gostavam de dizer que trabalhavam há anos numa determinada empresa com carteira assinada. Ficar em uma só organização não é bom sinal, a não ser que ascenda a cargos. Há alguns anos, a busca também era por emprego. Hoje, o profissional deve buscar trabalho. Os que se preparam para o vestibular encontrarão o mercado com esta configuração'', afirma Moreira.
Competência em outros idiomas, viagens ao exterior ou pós-graduação podem ser decisivos num processo de seleção, mas oferecer mais do que o cargo exige poderá deixá-lo em vantagem.
Moreira exemplifica ao dizer que um dentista recém-formado precisa saber algo de administração. Antes não era preciso esse tipo de preocupação porque o número de profissionais era menor.
Planejar a carreira a longo prazo é importante para não correr o risco de viver no piloto automático. Pensar já numa pós-gradução, por exemplo, é prever frutos daqui a quatro anos.
Gestora de Recursos Humanos (RH) e professora universitária, a psicóloga Rosângela Ferreira Leal Fernandes, afirma que o mundo sem fronteiras exige mais habilidades de inter-relações pessoais. Não se fala mais em postos de trabalho, mas em equipes.
''Os que ainda não desempenham essa competência precisam trabalhar isso de dentro para fora porque hoje o mercado quer os que saibam trabalhar em equipe. Até os que pensam em viajar ou fazer intercâmbio devem levar em consideração que terão a oportunidade de inter-relações com outras culturas, línguas e pessoas. É preciso sair do conforto do 'aqui eu tenho a minha bolha' para enxergar a possibilidade de trocas'', ressalta Rosângela.


