A segunda tentativa do governo estadual em leiloar a Companhia Paranaense de Energia (Copel) falhou novamente. O prazo para as empresas interessadas depositarem os R$ 400 milhões de garantia acabou na última terça-feira, sem que alguma empresa se habilitasse.

O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Luiz Antônio Rossafa, acredita que esse é o momento oportuno para o governo reavaliar sua postura com relação à venda das ações da estatal. ''Esse é um momento ímpar que o governo tem para se redimir de um processo desgastante, que se iniciou desde as discussões sobre a votação do projeto que autorizou a venda'', afirma Rossafa.

Segundo ele, os governantes devem estar sensíveis à opinião pública e no caso da Copel, a sociedade se posicionou contra a venda. ''Não há porque ir contra a vontade da população. Com a indefinição dos compradores, há um sinal de que alguma coisa precisa ser modificada'', completou.

Para o presidente do Sindicato dos Engenheiros (Senge), Carlos Roberto Bittencourt, a suspensão do leilão mostrou ao governo o que tem sido defendido pelas entidades contrárias ao processo de venda das ações da Copel. ''Nós alertamos para isso, pois não é um bom momento para esse tipo de negócio, além de não ter respaldo popular, pois o povo paranaense é contra. Além disso, não podemos abrir mão de uma empresa que faz parte de um setor estratégico, principalmente com a crise de energia'', afirma Bittencourt.

O coordenador do Fórum Popular Contra a Privatização da Copel, ex-deputado Nelton Friedrich, acredita em uma rediscussão sobre a Copel. ''Falta sensatez ao governo do Estado, que teima em levar adiante um processo que se mostra enfraquecido. A sociedade e o mercado não desejaram o leilão da Copel e o ideal é virar a página sobre isso'', defende Friedrich.

Para ampliar o debate sobre a energia, Rossafa defende a utilização em maior escala das fontes alternativas. Ele propõe um maior investimento nas termelétricas movidas a biomassa. ''Temos condições de utilizarmos resíduos naturais de diversos produtos. Dessa forma poderemos manter um bom nível de produção energética, gerar emprego e também reduzir o custo da energia para os pequenos produtores e empresários'', defende.

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