Profissão também reserva situações assustadoras
No início de suas atividades como médico legista, um fato aterrorizou o profissional. Chamado para atender três casos de perícia no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, encontrou na sala três cadáveres dispostos em mesas. Um dos corpos, como dr. Milton mesmo descreve, era de um indivíduo grandalhão, corpulento, e com cerca de dois metros de altura. Os outros dois eram de uma idosa e uma jovem.
O IML ficava num lugar ermo e com iluminação precária. O médico vestiu o jaleco e a máscara protetora e iniciou o trabalho pela mesa do meio. De vez em quando, olhava para o grandalhão em suas costas.
Um silêncio sepulcral, como ele define, reinava na sala e nenhum indivíduo, por volta da meia-noite, se sentiria muito à vontade. Ao se abaixar para passar o bisturi sobre o primeiro cadáver, sentiu que uma mão pesada deslizou sobre suas costas.
Paralisado, sentiu um frio estranho que percorreu-lhe o corpo da cabeça aos pés. O coração descompassou e os cabelos eriçaram. Parou a incisão e lentamente levantou a cabeça, sentindo ainda aquela mão puxando seu jaleco. ''Na minha mente veio a pergunta: Será que o grandalhão ainda está vivo?...''
O médico virou-se devagar e só então percebeu que havia encostado no braço esquerdo do cadáver, provocando a queda do mesmo. ''Retirei a mão do cadáver daquela posição incômoda e encerrei a perícia médica. Não me encontrava mais em condições psíquicas de continuar as atividades''.(M.O)





