Profissão se aprende na prática
O shaper Rubens Canfield define o surf como uma doença incurável. Começei a pegar onda aos 17 anos e me envolvi completamente, lembra. Como naquele tempo o profissionalismo dentro do esporte era ainda mais difícil do que hoje, ele teve que buscar outra profissão ligada às ondas.
Decidiu, então, ser um shaper. Aos dezoito anos, peguei um pranchão velho, descasquei e fiz uma prancha menor a partir dele. Caí na água e para minha surpresa ela andava muito bem, lembra Canfield. Nesse início, os amigos foram os primeiros clientes. Não existem nem escolas nem cursos para aprender a shapear. Amadureci minha técnica na prática.
Contribuiu para sua formação o fato de ter trabalhado por um ano na fábrica da Tropical Brasil, uma das mais respeitadas do país. Avelino Bastos, o shaper e dono da empresa catarinense, é um velho conhecido de Canfield. Quando era criança, ele morou em Paranaguá, perto da minha casa. Foi com o Avelino que construí minha primeira prancha, com uma tábua de passar roupa, aos sete anos.
Atualmente, Canfield fabrica uma média de 50 pranchas por mês, ao preço de R$ 315,00, enquanto as de marcas cariocas como Ricardo Martins ficam na faixa dos R$ 370,00. Faz todas sozinho, uma a uma. A laminação, fase final do produto, é realizada em São Francisco do Sul, Santa Catarina. De dezembro a março, a produção aumenta para 120 por mês. Neste período, tenho que trabalhar 16 horas por dia, conta, acrescentando que para executar cada shape leva em média 4 horas (veja box à direita).
O aumento de popularidade da marca Canfield Shaper Designer iniciou em 1994, ano em que Peterson Rosa ganhou o título brasileiro surfando com as pranchas dele. Ano passado, Rosa assumiu a posição de melhor brasileiro no campeonato mundial, o que fez crescer a reputação das pranchas de Canfield. Conforme o contrato de patrocínio que tem com Rosa, no início de cada temporada de competições, Canfield faz uma série de sete pranchas para ele, com modelos que vão das pequenas, para os mares menores, até as chamadas guns, ideais para ondas de porte havaiano - se alguma quebrar, é prontamente reposta. Parte do segredo de nossa relação é que conversamos muito antes de eu começar a trabalhar, revela o shaper.





