Profissão: mágico
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Luiza Xavier<br> Equipe da Folha 
Imagine chegar ao trabalho de manhã e ser informado de que você deve seguir rapidamente para a sala de reuniões porque a palestra com o mágico já vai começar. Será uma ''pegadinha'' preparada pelo chefe? Uma brincadeira dos colegas do RH (Recursos Humanos)? Nada disso. O mais provável é que você vá ouvir Luciano Pasquali falar sobre como ''encantar'' clientes, aumentar as vendas ou outro assunto do gênero.
Aos 29 anos, integra o restrito grupo de mágicos profissionais que atuam na Capital e região metropolitana á- não são mais do que 30, segundo a associação que representa a classe - e passou a ser convidado por empresas para contar sua experiência em eventos voltados à motivação de equipes.''A mágica é um tipo de venda. Eu tenho de convencer as pessoas daquilo que estou fazendo. Então, nas palestras, eu mostro aos participantes técnicas que podem ajudá-los, por exemplo, a levar uma pessoa a se decidir pela compra'', explica.
Pasquali, especialista na categoria ''close up'' - a manipulação de cartas, moedas e outros objetos feita bem perto do público e também chamada de micromagia -, personifica a atual geração de mágicos. Hoje, eles investem tempo e dinheiro na valorização do ofício, deixando cada vez mais distante aquela imagem do homem que ocupava os picadeiros dos circos para tirar coelhos de dentro de cartolas.
Quem cresceu assistindo aos truques apresentados em programas de tv, tem agora como inspiração os ícones do momento: Criss Angel e David Blaine, dos Estados Unidos. Este último, aliás, teve um recorde quebrado pelo curitibano. Em 2005, durante uma ''performance'' em pleno calçadão da Rua XV, Pasquali passou 72 dias sem comer, dez a mais que o ilusionista norte-americano.
''Dedico pelo menos 40 minutos por dia ao treinamento. E já cheguei a gastar 800 reais comprando equipamentos importados'', conta. Mas, a profissão tem suas recompensas. Pasquali, que além das palestras, se apresenta em bares, restaurantes e festas, cobra de R$ 350,00 a R$ 400,00 por hora de apresentação. E ainda se diverte. ''Faço com que as pessoas sorriam e vejam as coisas de um modo diferente'', filosofa.
Treinamento, estudo e organização. Quem quer levar adiante a profissão deve estar disposto a aprender continuamente. ''A mágica precisa sobreviver e, portanto, os profissionais devem estar sempre se atualizando'', ressalta Eduardo Kiron, de 34 anos, há seis dedicando-se exclusivamente a apresentações em festas infantis, clubes, instituições beneficentes, escolas e até hospitais.
Durante as apresentações de Kiron, um dos representantes da categoria conhecida por magia de palco, antigos truques como levitação de bola, aparição de pombos e de lenços coloridos ganham novas versões. A música e o cenário também passaram a desempenhar papéis importantes para o sucesso de um show. ''A tendência é mesclar várias técnicas, dar toques diferenciados. Nas apresentações para crianças, por exemplo, sempre concluo o show contando uma história e usando alguns efeitos mágicos'', afirma ele, que também é vice-presidente da Associação dos Mágicos do Paraná (Magipar).
A instituição teve origem no antigo Clube de Mágica do Paraná (Clumap) e, atualmente, tem como principal meta promover a profissionalização e o aperfeiçoamento das técnicas de mágica. A associação realiza reuniões mensais na Gibiteca de Curitiba. Quem preside a entidade é um dos mais antigos mágicos da capital, Antenor Delfino Bonifácio, o Délfus.
''A profissão está em expansão. Hoje, a mágica não é mais vista como algo voltado apenas para crianças. Adolescentes e adultos também se interessam e o caminho para quem quer trabalhar na área é a especialização'', afirma o paulistano de 63 anos que há três décadas dedica-se à arte dos truques. Segundo Délfus, dois de seus amigos que atuam em São Paulo confirmam a tendência de renovação da profissão. ''Eles cobram de R$ 5 mil a R$ 8 mil para fazer palestras em empresas, mas aqui em Curitiba ainda é difícil. O pessoal tem mesmo de fazer um pouco de tudo'', comenta.
E se engana quem pensa que o avanço e a popularização da ''parafernália tecnológica'' estariam prejudicando a atividade. Délfus, que já viveu os tempos ''românticos'' da profissão, viajando com um circo e sendo sócio de uma loja de artigos de mágica, só vê vantagens. ''No meu tempo, era dificílimo encontrar um livro que ensinasse truques. E quando encontrava, era em inglês. Hoje, é muito mais fácil. É só buscar na internet'', diz ele, que, afinado com os novos tempos, virou professor em ''workshops'' de mágica.


