Profissão liberal exerce atração
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quarta-feira, 17 de junho de 1998
Cláudia Lopes 
Apesar do perfil essencialmente agrícola dos imigrantes japoneses, ao vir para a cidade a maioria dos nikkeys foi para profissões liberais, assumindo também cargos em entidades classistas. Kentaro Takahara, que foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) entre 1980 e 1981, é filho mais velho de um agricultor japonês. Nascido em Pereira Barreto (SP), ele se mudou para Londrina em 1958, para trabalhar e estudar.
Takahara, que na época da Acil também era diretor comercial da Transparaná S/A, formou-se em direito. Mas hoje tem também três lojas, um atacado de produtos importados e uma escola especializada - onde a maioria das aulas é em inglês e o ensino combina os currículos do Brasil e dos EUA. Além disso, Takahara é diretor do Plano de Desenvolvimento de Londrina (PDI), nomeado pela prefeitura.
Um outro descendente a presidir a Acil foi Jorge Hitoshi Kayamori - entre 1968/69 e 1970/71. Na época ele diretor da firma Motosima S/A. Atualmente, Kayamori atua no comércio e na indústria de confecções.
A Acil não dispõe de levantamento do número de empresários que atuam nos setores comerciais, industriais e de serviços em Londrina. Takahara acredita que a atuação dos nikkeys nestes segmentos não seja expressiva. Os descendentes têm presença forte em profissões liberais. Como os imigrantes japoneses priorizavam o estudo dos filhos, a maioria formou-se em cursos como medicina, odontologia, engenharia, fisioterapia, direito e economia.
Takahara lembra que, como agricultores, os imigrantes desempenharam papel fundamental para fazer de Londrina a Capital do Café na década de 40. Também foram importantes na horticultura, fruticultura e avicultura, afirma. Com o êxodo, vieram para a cidade mas não se fixaram muito nos setores comerciais, industriais e de serviços.
Como diretor do PDI, Takahara acredita que os dekasseguis (ver na página 6) trarão bagagem preciosa ao retornar a Londrina. Vão importar tecnologia e know how das empresas japonesas, diz ele, lembrando que 40% da mão-de-obra ativa da comunidade nikkey está hoje no Japão. Segundo Takahara, daqui para frente os descendentes enfrentam um novo desafio: a globalização. Quem ficou no Brasil tem que se preparar para a competitividade, qualidade e produtividade.


