Profissão é símbolo de rompimento
Manifestações carnavalescas são, provavelmente, os primeiros eventos a contar com a figura do que poderíamos chamar de ''drag queen''. Na opinião do psicólogo e doutor em saúde coletiva pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Wiliam Siqueira Peres, no Brasil a profissão ganhou até um famoso padrinho, o que popularizou a figura da drag queen como uma personagem difusora de humor e alegria. ''Podemos dizer que o Chacrinha apresentador de um programa de variedades nas tardes de sábado, pela TV Globo foi a primeira drag queen do País, por sugerir, em um veículo de comunicação de massa e ainda na década de 1970, a quebra dos primeiros paradigmas com relação à sexualidade, com o uso de roupas femininas e a vaidade caricata'', explica.
Ainda segundo Peres, as drag queens são, provavelmente, as primeiras manifestações do rompimento que a sociedade, durante os anos 1960 e 1970, queria promover diante da estagnação cultural pela qual o mundo passava até então. O período, por sinal, foi de grande discussão para restabelecimento de conceitos relativos à sexualidade, principalmente com relação ao gênero e à opção sexual das pessoas.
A confusão persiste até hoje, ao ponto de ser necessária até mesmo uma classificação científica para alguns termos indiretamente relacionados com a sexualidade, como é o caso de drag queen. Não é raro o profissinal que trabalha como drag queen ser confundido com um travesti ou com um transexual. Os termos têm significados bem diferentes.
''Drag queen é uma profissão e, teoricamente, tanto um homossexual quanto um heterossexual podem o ser. O conceito de 'travesti', por sua vez, já diz respeito à sexualidade: é um homem que promove alterações físicas no próprio corpo com o objetivo se de parecer com uma mulher, sem, no entanto, se incomodar com o próprio pênis. O órgão sexual neste caso, é o principal ponto de prazer para estas pessoas. Já o transexual é um homem que, psicologicamente falando, apresenta-se como mulher e vê no pênis um incômodo, uma peça que não deveria estar ali'', explica Wiliam.
Partindo-se deste princípio, deduz-se que uma drag queen não é, necessariamente, homossexual. Coincidentemente, as personagens entrevistadas pela Folha para esta reportagem declararam-se gays. Robsleno da Silva até fez uma ressalva quanto ao exercício da profissão. ''Não acredito que um heterossexual possa ser uma boa drag queen. Neste caso, só se for uma personagem caricata'', opina. (A.M.)





