Curitiba- A popularização das cirurgias para aumentar os seios através da inclusão de próteses de silicone, que hoje custam a metade do valor praticado há aproximadamente quatro anos, tem causado polêmica no meio médico. Pela maneira desenfreada que a cirurgia tem sido feita no Brasil, triplicando o número de dez anos para cá, os cuidados exigidos pela intervenção cirúrgica, em muitos casos, não têm sido adotados.
Além disso, especialistas apontam o risco da não-detecção de uma lesão na mama de mulheres que utilizam próteses de silicone. Ainda não há indícios que comprovem esta tese, mas sim que a prótese colocada entre a glândula mamária e o músculo dificulta a perfeita visualização em uma mamografia, requerendo então exames mais aprofundados. Essa é posição defendida pelo mastologista e diretor do Hospital 3 do Instituto Nacional do Câncer (Inca), especializado em Câncer de Mama, César Augusto Lasmar.
Em entrevista à Folha, Lasmar explica que em casos de mulheres que utilizam a prótese intra-muscular, a mamografia é realizada normalmente (com as duas incidências: frente e lateral) como em mulheres que não possuem prótese de silicone. Isso porque a prótese fica atrás do músculo e, assim, a mama fica isolada. Já, em casos de mulheres que utilizam a prótese retro-mamária existe a dificuldade da perfeita visualização através de uma mamografia simples. Nesses casos devem ser adotados outros procedimentos. São feitas também outras incidências na mamografia, como a oblíqua e a compressão.
Não sendo suficiente, a paciente deverá fazer, então, a ecografia de mama, e, em último caso, o exame de ressonância magnética (um exame mais aprofundado que detecta até lesões muito pequenas). Ainda segundo o mastologista, outro fator que pode confundir os resultados de uma mamografia, criando imagens distorcidas no exame, é a fibrose. ''A fibrose ocorre dentro do tecido, e é considerada uma reação inflamatória ao trauma cirúrgico, mais conhecida pela expressão encapsulamento. Portanto, é importante que a paciente seja encaminhada ao radiologista com essa indicação (de fibrose) para não precipitar resultados.'' A fibrose, encapsulamento ou rejeição é uma espécie de reação do organismo à protese como um corpo estranho, e se caracteriza por dores e pelo endurecimento da mama.
A presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica da regional do Paraná, Ruth Graf, defende a mesma posição de Lasmar. Para ela, mulheres com prótese de silicone já recebem um encaminhamento especial para exames de mamografia. ''Já são requeridos, por exemplo, a mamografia aliada à ecografia de mama, e, dependendo do tipo da incisão (retro-mamária no caso) já é solicitada também a ressonância magnética para garantir a perfeita detecção'', explica. Ruth Graf participou sexta-feira de um debate em Curitiba, que faz parte da Jornada Sul-americana de Cirurgia Plástica, sobre próteses de silicone, seus tipos de incisão e riscos.

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