''Nosso cérebro tem uma enorme capacidade de adaptação, é a parte do nosso corpo mais preparada para as transformações e mudanças'', afirma o professor de Neurociência e Fundamentos Psicobiológicos do Comportamento da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Naim Akel Filho, 54.
Este processo chamado de neuroplasticidade é o mecanismo mais importante do funcionamento cerebral. Ele possibilita a adaptação diante das novas experiências e é mais desenvolvido na infância e na juventude.
O professor explica que durante a velhice é natural que as pessoas tenham maior dificuldade em se familiarizar com novas tecnologias. ''Na juventude, a dificuldade em se adaptar às mudanças, não utilizá-las porque não consegue, é um problema'', diz. Akel se refere à decisão consciente e lúcida de achar as novas tecnologias prejudiciais.
Um dos principais fatores para esta dificuldade ou não aceitação das tecnologias é a educação e a cultura. Pessoas criadas em ambientes repressivos têm a tendência natural da neuroplasticidade bloqueada. ''Muitas religiões, por exemplo. confundem o avanço das comunicações e a ciência com fé e valores morais'', diz o professor.
Akel conta que não tem dificuldade em se adaptar às novas tecnologias. Ele afirma que usa celular, mas não admite ser alvo do jogo de marketing. Por isso resiste a modismos. (C.G.B.)

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