Professor lamenta uso de animais em pesquisa
Há sete anos, cães e coelhos deixaram de ser usados pelos alunos do curso de veterinária da Universidade de São Paulo (USP) nas aulas de técnica cirúrgica. Até o final da década de 1990, cerca de 300 cães eram sacrificados todo ano para este fim. Depois, passou-se a utilizar coelhos, substituídos, em 2000, por esponjas especiais, cadávares de animais especialmente preparados, bonecos e até língua de bovinos.
''O custo é maior do que usar cobaias mas, em 90% dos casos, o uso de animais para ensinar cirurgia é desnecessário, um desperdício de vidas'', avalia o médico veterinário Marco Antônio Gioso, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP que, assim como muitos de seus alunos, experimentou a contradição de ter de sacrificar animais enquanto aprendia como cuidar e salvar a vida deles. ''Já vi alunos chorando, sendo obrigados a usar animais. Nas minhas aulas eu não uso mais e a universidade, como um todo, está diminuindo o uso. Vejo isso como um avanço a ser seguido por outras escolas'', destaca.
Gioso lembra que nos EUA e na Europa, as escolas de Ensino Médio utilizam cerca de seis milhões de rãs, ratos e outras cobaias anualmente. ''A realidade brasileira é diferente, não há muitas escolas equipadas com laboratórios'', comenta o professor que, recentemente, apresentou em Curitiba uma palestra sobre o temaa, durante seminário promovido pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). Ele acredita que o uso de animais em ensino e pesquisa já poderia ser menor. ''Em pesquisa é mais difícil, pois o tipo de estudo é que detemina o uso ou não de animais. O importante é que a legislação e o código de ética sejam cumpridos, o animal usado como cobaia não pode sofrer'', afirma.
O presidente do CRMV-PR, Masaru Sugai concorda. Segundo ele, embora a prática seja antiga, o assunto passou a despertar o interesse da sociedade em geral mais recentemente, e o papel do Conselho é garantir que os padrões éticos sejam cumpridos. ''Vivemos um momento de transição. Hoje, não somente as ONGS de defesa dos animais, mas os próprios alunos, estão preocupados com o tema'', afirma. Porém, ele pondera que a emoção não pode superar a razão.''O ideal seria minimizar ao máximo o uso de animais, mas enquanto isso não é possível, nosso papel é evitar a dor e o sofrimento deles'', argumenta.(L.X.)





