Fotos de Gilson Camargo/Folha de Londrina





De cima para baixo: máquina anti-grampos, escuta com transmissor e gravador preparado para conexão no telefone

A indústria da espionagem ganha produtos novos com o mesmo ritmo que games e programas de computador são lançados. Muitos destes lançamentos não ficam atrás do famoso sapato-telefone do Agente 86, pelo menos em tecnologia e curiosidade. ‘‘Muita coisa que se vê nos filmes existe na realidade’’, diz o investigador particular Marcus Vinícius Ferri, da S.P.I., empresa que cobra a partir de R$ 35,00 para executar ‘‘limpeza’’ de grampos telefônicos. ‘‘E como profissionais da contra-informação, temos que nos manter atualizado sobre todos os aparelhos, para saber como combate-los’’.
Apesar de não instalar escutas e grampos, o investigador tem um grande acervo de aparelhos, que utiliza para testar as máquinas caça-escutas. Existem modelos bem pequenos, como se pode notar nas fotos ao lado. ‘‘No caso das escutas, algumas vem com retransmissores que jogam o sinal para longas distâncias: quem está espionando pode ficar a até cinco quilômetros’’.
Os grampos mais comuns são montados a partir de gravadores normais, que recebem uma adaptação com cabos e mecanismos que fazem a captação iniciar automaticamente, assim que se tira o fone do gancho. Existem ainda aparelhos novos que podem ser colocados em qualquer ponto da linha, dificultando sua descoberta.







Aparelho para detectar grampos (no alto) e dois tipos de escutas - o pequeno tamanho dificulta o trabalho dos caças-escutas

Os celulares são mais fáceis de serem grampeados, pois não é preciso chegar perto do ‘‘alvo’’. Alguns aparelhos foram projetados especificamente para grampear os fones móveis. Basta saber o número do telefone que se pretende espionar. ‘‘Estas máquinas têm scanner de rádio frequência que capturam o telefone e passam a monitorá-lo’’, conta Ferri. ‘‘São equipamentos não disponíveis no mercado oficial, mas existe uma rede paralela que vende para pessoas não autorizadas. Os preços variam de U$ 11 mil a U$ 60 mil’’. Pode parecer caro, mas, em alguns casos, os interesses que estão em jogo podem justificar o investimento.
Para combater esse arsenal tecnológico, existem aparelhos específicos para varredura eletrônica, como os da marca norte-americana CCS. ‘‘Quando estamos fazendo um trabalho de ‘limpeza’, usamos dois modelos, que abrangem diferentes faixas de frequência’’, conta o investigador. Outra engenhoca útil no serviço do caça-espiões é um identificador de grampos que funciona acoplado ao aparelho telefônico. No caso de existir uma escuta, um bip dá o sinal de alerta. Este tipo de aparelho, ao contrário dos outros, tem venda liberada e fará parte do estoque da Spy Shop que Ferri vai abrir. Preço: R$ 1.200,00.
A engenhosidade da indústria da espionagem não para por aí. Um dos equipamentos mais modernos do ramo é o que tem a capacidade de ‘‘ler’’ a vibração dos vidros de um ambiente. No caso de duas pessoas estarem conversando numa sala, por exemplo, a máquina - colocada à distância - amplifica o sinal da vidraça e o diálogo pode ser compreendido.

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