O produtor de flores, Seitei Takemura, 67 anos, tem o sol como relógio-ponto. Acorda em Londrina quando o sol se levanta e pára o trabalho quando ele vai embora. Takemura, porém, controla a natureza para fazer desabrochar as flores durante todo o ano.
Ele aprendeu a produzir e cuidar de mudas de flores em 1958 fazendo cursos no Japão. Em 1973, já no Brasil, passou a se dedicar ao que tinha aprendido: cultivar flores. Em oito mil metros quadrados de estufa o floricultor administra a claridade, umidade e evita o ataque de pragas. ''O mercado exige plantas do mesmo tamanho, saudáveis e bonitas. O padrão de qualidade precisa ser mantido durante todo o ano'', reforça.
Graças ao controle do ambiente a chácara dele produz 120 mil vasos de crisântemos por ano, planta que reina e colore muitos dos espaços. Takemura é um dos 40 integrantes da Associação de Produtores de Flores e Plantas do Norte e Noroeste do Paraná (Aflonorpa).
De fora, Takemura adquire apenas o vaso plástico com o qual a planta é vendida. ''Produzimos tudo aqui na chácara desde o substrato até as mudas. Em 80 dias a planta está florida e pronta para a venda'', esclarece.
Insatisfeito como a baixa rentabilidade do negócio, Takemura reclama da concorrência dos produtos paulistas. Rosângela Takemura, filha de Seitei e também associada à Aflonorpa, avalia que no máximo 10% do que é consumido nas regiões Norte e Noroeste do Estado é produzido no Paraná. Ela argumenta que a associação ainda não possui um levantamento sobre a produção total. A estimativa dela baseia-se em observações do mercado.
Rosângela explica também que a produção na região é feita, principalmente, por pequenos produtores, muitos, inclusive, atenderiam apenas a própria loja. Outra particularidade do setor é a segmentação. ''Um produtor cultiva flores em vasos, outro produz plantas para corte, outro trabalha somente com exóticas'', completa.
Como alternativa para melhorar o percentual dos lucros, Takemura está investindo no cultivo de orquídeas. Ele compra as mudas e cuida da planta de dois a quatro anos até florir, dependendo da espécie. ''Espero conseguir aproveitar o lucro desse investimento'', brinca, pois ainda não começou efetivamente a vender as orquídeas.
Em outra chácara, o produtor de plantas para jardim, Noé da Silva, também reclamava dos lucros e da concorrência acirrada. Ele comenta que já teve dez funcionários, mas agora emprega apenas dois. ''Aumentaram os custos e a rentabilidade caiu. O problema desse ramo é que é algo supérfluo'', acredita.
Silva garante que cultiva todas as plantas que vende. Algumas mudas são feitas por meio de estacas, outras nascem de sementes e existem tipos que produzem brotos. Dependendo da planta, o crescimento é mais ou menos acelerado. Outro ponto ressaltado por Silva é o fato de as pessoas desejarem comprar a planta já no tamanho ideal para o seu jardim. Por isso, ele possui mudas de variados tamanhos e idades, algumas chegam a ter até 15 anos.

mockup