João Bernardino, 66 anos de idade e 40 de lavoura é um típico representante dos agricultores que trabalham com a família na lida da terra. Nos 88 alqueires do sítio que ele tem em sociedade com uma cunhada, no município de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), trabalham também seus dois filhos e um sobrinho.
Bernardino, homem de boa prosa e muita educação, é um dos poucos produtores rurais da micro-região onde está instalado que ainda não se rendeu à ''sedução'' da cana-de-acúcar. Cercado por canaviais, ele insiste com milho e soja, nas culturas de verão, e planta trigo e milho, na safrinha.
Tendo como opinião que ''o agricultor deve caminhar com as suas próprias pernas até onde puder'', ele diz que a cana pode sim ser um bom negócio, porém prefere continuar trabalhando com as lavouras de grãos. Entretanto, o produtor avalia que tudo poderia ser melhor se o preço dos adubos e insumos não fossem tão instáveis. Além disso, o clima já não é o mesmo de anos atrás. Na última safra, Bernardino perdeu 30 alqueires de trigo por conta da estiagem.
Voltando a falar de cana, ele relata, com a experiência de quem conhece muito bem o chão no qual está pisando, que essa cultura poderia ser muito lucrativa, pois a produtividade do solo de Bandeirantes é muito boa; o grande problema é o atraso no pagamento por parte dos usineiros.
A usina da região trata os proprietários de terra como fornecedores. Existe um contrato entre as duas partes e o agricultor vende sua produção para o usineiro. ''Tem gente que se ajeitou plantando cana, mas há reclamação do pessoal por conta dos atrasos de pagamento'', lamenta o agricultor.
Informado sobre a possibilidade de novas usinas se instalarem na região, ele comenta que já ouviu uns ''buchichos'' sobre isso e opina dizendo que esse pode ser o motivo derradeiro para que o lugar onde está instalado seja, de uma vez, tomado pela cana. ''Se instalar uma usina que pague em dia, tenho interesse em plantar cana em pelo menos uma parte das nossas terras'', comenta. (W.S.)

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