Na opinião do professor de Linguística e Língua Portuguesa, Carlos Alberto Faraco, docente aposentado da Universidade Federal do Paraná, o Dicionário Aurélio foi inovador ao incorporar o português falado no Brasil. ''Sem dúvida, ele abriu o dicionário da língua portuguesa para o vocabulário brasileiro. Na época, tínhamos bons dicionários, a maioria produzidos em Portugal, como o clássico Caldas Aulete, que chegou a ter edição brasileira. Quando o Aurélio foi lançado, estávamos sem um bom dicionário contemporâneo enriquecido com o vocabulário da língua corrente'', contextualiza Faraco.
''E o Aurélio preencheu essa lacuna com qualidade. Lembro que causou um impacto no seu lançamento, foi expressivo ao dar um sabor brasileiro à língua, tanto que até hoje é sinônimo de dicionário. A grande qualidade do Aurélio é ter uma ligação com o público em geral e é de fácil consulta. Eu ainda uso a versão eletrônica da Nova Fronteira, aliás, que acho fantástica porque elimina o trabalho manual'', disse ele, contando que sua preferência de consulta é pelo dicionário Houaiss, mais específico para sua área de trabalho.
Para o professor Faraco, o uso da literatura não se popularizou ainda no Brasil. ''As pessoas não tem a idéia de que um dicionário resolve problemas. Temos uma cultura oral. Quem tem alguma dúvida, de imediato, pergunta para pessoa ao lado e aceita certas afirmações sem checar no dicionário. No conjunto, esse hábito ainda não foi incorporado. É uma impressão saída da minha relação com os alunos'', pontua ele, informando que a história dos dicionários é um universo em expansão. ''Segundo Antônio Houais, a língua portuguesa tinha 40 mil palavras, no século 16, e hoje possui mais de 400 mil'', conta.
O docente define o dicionário como um instrumento de fixação, de registro e de tombamento técnico do termo ou da palavra, do sentido ou uso da palavra. ''Ele esclarece o sentido, o uso e o nível de uso, classificações como regionalismo e brasileirismo, que tentam localizar os níveis de uso da língua. É um retrato possível da língua através das palavras'', explica Faraco, citando que existem dez bons dicionários contemporâneos, como o da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (2002), além das obras do professor Borba (Dicionário de Usos do Português no Brasil) e do Celso Luft (dicionários específicos de regência verbal). (F.G.)

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