O artesanato brasileiro goza de grande prestígio junto ao mercado internacional. Infelizmente, nossa produção ainda não consegue atender à demanda mundial. De acordo com o Consultor de Inteligência Competitiva do Sebrae, Ricardo Dellaméa, isso se deve à falta de integração dos produtores. Os artesãos brasileiros trabalham de forma atomizada, não coletiva. Desta forma, encontram dificuldades em produzir uma escala mínima de produtos para tornar a exportação um bom negócio. ''Sozinho ninguém consegue fechar um contêiner ou enviar um negociador para outro país'', explica.
De acordo com Dellaméa, o artesanato tem ganho espaço - e preço - como contraponto aos produtos industriais homogeneizados. Em tempos de globalização, o consumidor deseja um produto que possua identidade, que simbolize algo a mais do que uma simples reprodução que poderia ser encontrada tanto na China, quanto no Marrocos ou nos EUA. ''O artesanato é antes de tudo um produto atrelado a uma região, uma cultura'', afirma. Neste ponto, um país multicultural e possuidor de diversas etnias, como é o Brasil, poderia estar na ponta da lança. Mas não está.
Outros países, como México e Colômbia, dão um banho em competitividade no artesanato brasileiro. Isso porque conseguem produzir seus produtos em larga escala sem perder as características artesanais, atendendo a contento a demanda internacional.
O Sebrae já identificou o potencial produtivo da atividade artesanal e tem disseminado a cultura de produção coletiva para atender às demandas externas. Vários projetos estão sendo desenvolvidos nesta área e espera-se que em um futuro próximo, o artesanato brasileiro alcance o local de destaque que lhe cabe nas prateleiras internacionais. (A.A.)

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