Quando o cirurgião africano Christian Barnard, em dezembro de 1967, realizou o primeiro transplante cardíaco da história da humanidade, a imprensa mundial entrou em polvorosa. O mundo todo comentava com espanto o fantástico fato de médicos tirarem o coração de um paciente e colocar o de outra pessoa, morta, no lugar.
O Brasil não demorou para realizar seu primeiro transplante de coração. Foi em maio de 1968, com a equipe do professor Euryclides de Jesus Zerbini, do Instituto do Coração de São Paulo.
No entanto, os primeiros transplantados não viveram muito tempo depois da cirurgia, o que fez com que o transplante de coração recebesse algumas críticas. Hoje, essa história é diferente. De acordo com o cirurgião cardíaco Arnaldo Okino, membro da equipe de cirurgiões londrinenses habilitada para realizar transplantes de coração, o processo operatório geralmente não dura mais do que quatro horas. As técnicas cirúrgicas e pós-operatórias evoluíram a tal ponto que a preocupação atual é com a carência de órgãos.
Responsável pelo procedimento que deu um novo coração a Fabiano Dias de Souza, Okino explica que o transplante é a alternativa adotada pelos médicos somente após o paciente receber orientações, passar por um tratamento medicamentoso e não se encaixar nos critérios clínicos para outros tipos de cirurgias cardíacas.
Superada a fase operatória, é hora de pensar nas temidas infecções e na rejeição. O novo órgão, responsável pela continuidade da vida de quem o recebe, é identificado pelo organismo do receptor como algo estranho. Por isso, o tipo sanguíneo de quem doa e de quem recebe deve ser rigorosamente o mesmo. ''Ainda assim temos problemas, pois existem outros antígenos no coração do doador além daqueles que conhecemos como sistema ABO'', complementa o cirurgião.
Contudo, seguindo as orientações médicas e tomando os remédios corretamente - que serão para o resto da vida - o transplantado pode ter uma vida normal.
Para finalizar, o médico relata que sente a falta de um ambulatório multidisciplinar para atender os transplantados e candidatos ao transplante. ''O ato operatório é ótimo, mas precisamos continuar acompanhando esses pacientes. Eles precisam de medicamentos, fisioterapeutas, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos. Hoje, não temos esses serviços para quem passa por um transplante'', reinvidica.(W.S.)

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