Problemas podem demorar 20 anos para aparecer
Curitiba - Uma complicação cirúrgica pode ser uma simples fibrose ou um sério processo de infecção, ocorrido com bastante frequência nos últimos meses em São Paulo e em Goiás. Para evitar traumas posteriores, alerta o mastologista César Lasmar, é muito importante que a paciente esteja plenamente consciente de todos os riscos de uma intervenção cirúrgica, principalmente as de inclusão de prótese de silicone, que podem, às vezes, mascarar o resultado de um exame, como ocorreu com Maria Paula Machado Bilíbio, hoje, com 51 anos.
Maria Paula Bilíbio, de Curitiba, fez a cirurgia de inclusão da prótese mamária em 1998, aos 47 anos de idade. Cerca de seis meses depois, ocorreu o encapsulamento e Maria Paula passou por outra cirurgia para a inclusão de nova prótese. Em 2002, Maria Paula começou a sentir dores em um dos seios e realizou uma mamografia, que não detectou nenhum problema. Na sequência, Maria Paula fez uma ecografia de mama e até o exame de ressonância magnética, e nenhum dos exames acusou alterações.
''Então, fui a um oncologista, retirei as próteses e fiz os exames novamente. Então, o resultado apontado foi uma inflamação mamária. Tratei a inflamação por três meses e o problema persistiu. Voltei ao oncologista e ele fez uma biópsia. Só então o câncer foi detectado, já no estágio 2. Com certeza, se eu tivesse as próteses, o câncer teria sido detectado em estágio ainda inicial, e, talvez eu tivesse que retirar toda a mama'', lamenta.
A Associação das Amigas da Mama já atendeu outros casos como o de Maria Paula, mas, o número de casos de mulheres que passaram por dificuldades para detectar um câncer de mama devido às próteses de silicone ainda é pequeno. ''Casos como o de Maria Paula deverão surgir em maior quantidade daqui a 20 anos, levando-se em consideração a moda atual do silicone'', acredita Tânia Mary Gomes, presidente da Associação.''
Lorena Nunes Rios, 26 anos, também estava consciente dos riscos que corria ao fazer a inclusão de próteses de silicone, e, mesmo assim, optou pela cirurgia. ''Sempre foi um sonho meu, e, hoje, mesmo depois de todas as complicações que eu tive, e não foram poucas, eu me sinto muito mais realizada, mais mulher. A minha auto-estima aumentou demais'', conta.
Lorena fez a cirurgia em novembro de 2002 e dois meses depois começou a ter complicações. Desenvolveu uma hérnia em um dos seios e teve que passar por uma segunda intervenção cirúrgica para retirar o abcesso. Seis meses depois, manifestou-se uma fibrose (encapsulamento) no mesmo seio onde ocorreu a hérnia e Lorena teve que passar por outra cirurgia para substituir a prótese encapsulada.
''Gastei muito mais do que eu pretendia e, hoje em dia, mesmo com o problema resolvido, tenho muitas restrições no meu dia-a-dia e sofro muito com isso. Hoje, depois de tudo o que eu passei, pensaria duas vezes antes de optar pela cirurgia. Não iria deixar de fazê-la, mas, acho que iria adiá-la; quem sabe ter filhos primeiro. Eu tenho medo, por exemplo, de ter problemas na amamentação, uma vez que já tive complicações sérias. Sempre vou ter este receio'', declara. Lorena pagou pela cirurgia, na época, cerca de R$ 6 mil reais. Depois disso, gastou mais cerca de R$ 1,5 mil, pois teve que pagar pela substituição da prótese. Hoje, há cirurgiões (membros da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) que realizam a cirurgia por aproximadamente R$ 4 mil.
''Tenho a consciência de que terei que fazer exames mais frequentes, pois temo algo pior'', conta. No entanto, para o cirurgião plástico Milton Daniel, não é necessário fazer exames com mais frequência, mas, sim mais apurados.
Segundo dados da SBCP, são realizadas no Paraná cerca de 200 mil cirurgias plásticas por ano. São aproximadamente 1,5 mil cirurgias por mês.(C.D.)





