As vítimas de bullying na infância podem ter a aprendizagem comprometida em três frentes: cognição, afetividade, e nas relações sociais, segundo a psicopedagoga Ana Regina Caminha Braga. "Se a afetividade é prejudicada, o rendimento do aluno pode ser afetado por ele não se sentir à vontade, não querer ir à escola ou interagir em sala, não estar satisfeito com os colegas. Quando ele não se sente parte do grupo, fica desmotivado", argumenta.
O psicólogo Fernando Zanluchi alerta que o problema deve ser combatido ainda na infância, tanto em relação ao agressor como ao agredido. Caso contrário, ambos podem se tornar pessoas violentas quando adultas. Não são poucos os casos de adolescentes e jovens, vítimas durante muitos anos de agressões físicas e psicológicas, que cometem suicídio ou que entram atirando nas escolas, como já ocorreu muitas vezes nos Estados Unidos, por exemplo.
É claro que nem todas as vítimas de bullying vão se tornar agressivas na vida adulta. Mas o comportamento delas pode ser afetado negativamente de várias maneiras. "Podem se transformar em adultos extremamente desconfiados e cautelosos", afirma a psicopedagoga Ana Regina Caminha Braga.

COMO AJUDAR
O terapeuta familiar Fernando Zanluchi lembra que hoje 90% dos conflitos dentro das escolas não estão ligados ao desempenho dos alunos, mas a problemas de relacionamento. "As instituições de ensino precisam entender que possuem um papel muito maior na formação moral e social do que intelectual dos alunos", afirma. Além disso, elas são responsáveis pelo bem-estar físico e emocional das crianças.
Segundo o especialista, é preciso aprender a diferenciar o "rir com" do "rir de". Com um pouco de sensibilidade dá pra saber quando os estudantes estão fazendo uma simples brincadeira ou praticando bullying. E o comportamento agressor deve ser coibido, mas com cuidado. "Não se pode olhar o agressor como bandido. Ele é uma pessoa frágil emocionalmente, que precisa se firmar em cima do outro. Por isso, é necessário fazer um trabalho de acolhimento", orienta.
Zanluchi alerta que os pais do aluno agressor precisam ser imediatamente informados sobre o que está acontecendo na escola e serem orientados de que esse tipo de comportamento é muito prejudicial para o desenvolvimento do filho. "Infelizmente, ainda tem pai que gosta do filho que briga e bate", lamenta. Mas o recomendável é apoiar a criança e não incentivar a violência. É preciso que os pais – do agressor e do agredido - conversem com o filho e discutam sobre como resolver a questão juntos para que a criança se sinta acolhida e ao mesmo tempo responsável pela solução do problema. (A.S.)

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