Dorico da SilvaPioneirismoLeonel Mortari, 82 anos: serraria, cerâmica, construtora e atividade rural, junto com o pai Amadeo Mortari Setembro de 1936. Chega a Londrina o pioneiro Amadeo Mortari, com a mulher e três filhos. A família havia deixado a cidade de Matão, no interior de São Paulo, porque a madeira naquela localidade estava chegando ao fim. ‘‘Meu pai ficou doido quando viu tanta madeira.’’ Quem diz, hoje, é o filho Leonel, que a princípio permaneceu no interior paulista mas cerca de dois meses depois, em novembro, veio seguindo a família.
Leonel tinha na época 20 anos de idade e foi, dentre os filhos de seo Amadeo, um dos que mais ajudou o pai, junto com o irmão Alcir, conforme conta nestes últimos dias quando se põe a lembrar dos tempos da colonização: ‘‘Luz só tinha no centro da cidade, era tudo barro. A gente saia pela ruas e conhecia todos os moradores, ao contrário de agora. Hoje a gente sai e não conhece ninguém.’’ Leonel Mortari, 82 anos de idade, casado com dona Thereza, é pai de cinco filhos, tem nove netos e cinco bisnetos. Outra lembrança do pioneiro é das dificuldades para viajar, naqueles tempos. Leonel conta que tinha um Jeep, ‘‘com tração nas quatro rodas’’, e o veículo era a salvação. ‘‘Sem o Jeep não dava para pensar em andar de carro em dias de chuva.’’
‘‘Começamos com uma serraria, depois uma carpintaria, uma olaria e depois a construtora. Construímos muito na cidade’’, relata Leonel Mortari. A cerâmica, acrescenta o pioneiro, era responsável pela produção de tudo o que se possa imaginar no setor: tijolos, telhas, manilha, por exemplo.
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A serraria, por outro lado, já por volta de 1942-43, durante a Segunda Guerra Mundial, fazia exportação: ‘‘Parte da nossa madeira ia para Santos e de lá a Inglaterra, para os aliados construírem barcos. A gente ficou sabendo disso só depois de terminada a guerra’’. Na época, lembra Leonel Mortari, a serraria dispunha de vagões preferenciais e o terminal ferroviário fazia um desvio para o pátio da empresa.
Segundo Leonel, a Serraria Mortari era a maior de Londrina e funcionava com máquinas importadas da Itália e da Alemanha. A empresa estava instalada na antiga rua Acre (hoje avenida Leste-Oeste), esquina com a rua Rio Grande do Sul. Ficou no local uma das chaminés, das construídas por volta de 1941.
A cerâmica montada em Londrina por Amadeo Mortari, conforme o filho Leonel e o neto Julio, ‘‘foi a primeira indústria de peso de Londrina’’ e estava instalada em terreno ao lado do Estádio Municipal Vitorino Gonçalves Dias. Era, também, equipada com máquinas importadas - como a prensa automática e hidráulica para telhas francesas e paulistas. ‘‘Era uma máquina de grande precisão’’, diz Leonel, ‘‘e as esteiras rolantes não tinha em nenhum outro lugar’’.
Julho de 1952. Desembarca no Brasil o português Manuel Alho da Silva, que escolhe Londrina para morar, trabalhar e constituir família. Acaba se tornando funcionário público, com vaga no Departamento de Obras do município, onde permanece até por volta de 1959.
Naquele ano, chama para ser sócio o pioneiro Milton Gavetti e com ele funda a Construtora Brasília, empresa que nasceu exatamente no dia 8 de outubro. ‘‘Era ano de muito empreendimento’’, recorda-se Manuel Alho da Silva, hoje com 70 anos. ‘‘O nosso primeiro empreendimento de vulto foi o Edifício Willie Davids’’, acrescenta ele, casado com dona Dagmar Eneida Christino.
Anos mais tarde, já na década de 70, um paranaense da localidade de Marialva, mas com o coração plantado em Londrina, aproveita o incentivo do governo federal para a produção de sementes (Plano Nacional de Sementes) e funda a Sementes Mauá.
Ywao Miyamoto, 55 anos, casado com Miriam, é ligado à atividade rural desde o berço. Filho de agricultores, agrônomo formado em Piracicaba (SP), ele mantém desde 1970 propriedade com café em Franca, no Estado de São Paulo, além de fazendas em outro estados. Antes de escolher o interior do Estado de São Paulo para trabalhar com cafeicultura, Ywao Miyamoto mantinha propriedade no Paraná. A mudança foi para fugir das geadas. A familiaridade com a produção de sementes começou também no início da década de 70, quando ocupava a chefia do setor de sementes da extinta Cooperativa Agrícola de Cotia, em Londrina.
‘‘Em 1970, ajudei no assentamento da Cotia no Cerrado. Em 74, aproveitei o incentivo do governo federal, saí da Cotia e montei a Sementes Mauá.’’ A empresa, que ele administra de Londrina, mantém unidade industrial no município de Mauá da Serra: ‘‘Na época, eu já sabia que Mauá da Serra, pelo clima e pela categoria dos agricultores, era o local ideal para produção de sementes’’.
Segundo ele, uma das causas é a altitude, de 1.100 metros; a quantidade de chuva é boa, a temperatura é amena e a ocorrência de pragas é menor. ‘‘Até então a melhor semente era a do Rio Grande do Sul. Como eu tinha conhecimento de todo o Paraná, através da Cotia, escolhi Mauá da Serra.’’ Quanto à categoria dos produtores, Miyamoto explica que os agricultores da localidade são dedicados e a maioria deles deu curso superior aos filhos. Em Mauá da Serra, os grandes proprietários agrícolas têm pelo menos um filho formado em Agronomia que retorna à propriedade para trabalhar com a família. O uso de tecnologia no campo é intensivo, inclusive em relação à adoção do plantio direto e da adubação verde.

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