Primeira Sucursal foi aberta em 1968
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Marcos Zanatta 
A primeira sucursal da Folha foi a de Maringá, aberta em 1968, quando a empresa completava 20 anos de existência. O jornal já fazia toda cobertura dos mais de 100 municípios da região Noroeste, que na época tinha a economia baseada quase que exclusivamente na pecuária e cafeicultura. Alexandre Rocha, o Mineiro, e os jornalistas Jota Oliveira e Estélio Feldman faziam o trecho com frequência, cobrindo todo assunto que aparecia pela frente. Muitas vezes, lembra Mineiro, a entrevista era feita nos fundões do Noroeste, nas barrancas do Rio Paraná, e a matéria tinha que estar em Londrina até o final da tarde.
Quando Giovanni Galletto inaugurou a Sucursal de Maringá, a idéia era melhorar ainda mais a cobertura, apesar da falta de estrutura disponível no mercado. Não existiam telefoto e os textos eram transmitidos pelo telex. A sucursal tinha uma estrutura invejável para a época, com pelo menos cinco repórteres e vários contatos espalhados pela região. Muitas vezes, conta o produtor de TV Sérgio Jaques, um dos primeiros repórteres-fotográficos da Sucursal de Maringá, o redator fazia o texto em uma máquina emprestada da prefeitura ou outro local qualquer, e passava por telefone para Londrina.Foto de SucursalSucursal-póloRedação da Sucursal de Maringá é comandada por Marcos Zanatta. Com ele na foto, Marccio Villela, Carmem Lúcia Ribeiro, Celina Alonso, Lucinéia Parra, Marcos Negrini e Ossamu Kanda
O problema era com as fotos. Sempre tínhamos que levar as fotos até Londrina, não existia outro meio, lembra Jaques. Quando a cobertura era feita em Maringá ou nos municípios vizinhos, até o início da tarde os negativos seguiam pelo malote com o último carro da circulação (entrega de jornais), que passava na cidade por volta das 15 horas. Depois disso a gente tinha que levar, quando o assunto valia a pena. Nos domingos, quando era feita a cobertura de jogos do Campeonato Paranaense na região, o repórter e o fotógrafo muitas vezes iam até Umuarama ou Paranavaí cobrir o jogo e depois para Londrina. Tinha que ir para lá para revelar o filme.
Mas os tempos pioneiros deixaram saudades para quem passou pela Sucursal da Folha em Maringá. O empresário José Antonio Moscardi trabalhou na Sucursal de 1980 a 1988, quando o chefe de redação era Rubens Ávila, que posteriormente trabalhou em televisão, em Londrina. A Folha exercia uma influência muito grande na região, principalmente na agricultura, que era a atividade econômica de maior importância em todos os municípios, relembra.
As experiências pessoais dentro da sucursal também fazem parte da lembrança dos primeiros repórteres que desbravaram a região Noroeste. O editor da TV Tibagi, Messias Mendes, conta que entrou pela primeira vez na sucursal em 1972. O chefe de Redação, Rubens Ávila, me pediu para cobrir um campeonato de beisebol na Acema (Associação Cultural e Esportiva de Maringá). Fiquei lá o dia inteiro e não entendi nada. Nem voltei para a redação. Alguns dias depois, Ávila encontrou Messias na rua e cobrou dele uma decisão: queria ou não trabalhar na sucursal. Voltei e fiquei até 1980.
O empresário Antônio Fermenton, que trabalhou pouco mais de um ano e meio na Sucursal como motorista, lembra das dificuldades da época em que cinco ou mais jornalistas trabalhavam no local. A gente tinha cerca de uma hora para sair de Maringá e chegar a Londrina com as fotos, todos os dias. Muitas vezes, segundo ele, a equipe ia para as cidades mais distantes de Maringá cobrir desentendimento entre duas partes e tinha um certo horário a cumprir. A gente chegava na cidade e já era procurado pelos dois lados, como se estivesse ali para resolver um problema. Os jornalistas chegavam a ser disputados pelos entrevistados.
Atualmente, a Sucursal de Maringá tem uma das melhores estruturas, depois de Londrina e Curitiba, e responde por uma região de 58 municípios polarizados por Maringá e Paranavaí. São ainda dois correspondentes que cobrem as áreas de abrangência de Umuarama e Campo Mourão. O Noroeste é também a região de maior circulação da Folha fora da área coberta por Londrina, onde o jornal nasceu e tem sua sede.
Nos últimos 10 anos, a sucursal passou por várias transformações, mudando conforme a necessidade do jornal, chegando inclusive a abrigar apenas os jornalistas da empresa. Em 11 de agosto de 1994, a Folha implantou em Maringá a primeira sucursal-pólo, com estrutura para atender todas as áreas, ampliando a cobertura diária e introduzindo a Folha da Sexta na cidade. Recentemente, os leitores maringaenses ganharam uma coluna social apenas com notas e destaques da região. Com a reestruturação cresceu também a cobertura de todos os outros setores da região, inclusive com a parceria para a realização de eventos de importância para a economia dos municípios da região.
Trabalham na Sucursal três repórteres para a cobertura geral, uma para a Folha Dois e Folha da Sexta, e uma colunista social, além de um repórter-fotográfico e um auxiliar de fotografia. A estrutura também melhorou muito, principalmente nos últimos anos, com a implantação de equipamentos para a transmissão de dados.
Junto com a sucursal-pólo foi criado também um departamento de telemarketing para atender a região. São 12 operadores que cobrem o Noroeste e o Sudoeste do Estado, ampliando a atuação da sucursal além da área de abrangência dos outros setores. Em média são 25 mil ligações por mês, que sempre apresentam resultados satisfatórios no retorno em assinaturas.


