A vocação de Arapongas para a indústria moveleira nasceu bem antes da emancipação do município em 1947. A localidade começou a ser formada na década de 1930 como parte do projeto de colonização da Companhia de Terras Norte do Paraná, a mesma que fundou Londrina e outras cidades do Estado. Em 1940, o casal Henrique e Henriqueta Petereit soube da fama do novo eldorado e resolveu deixar a cidade de Marcilio Dias, no interior de Santa Catarina. O casal e dois filhos se estabeleceram em Arapongas, na época distrito de Rolândia.
  Observador, o pioneiro Henrique Petereit descobriu um nicho de mercado. Ele percebeu que inúmeras famílias também decidiram se mudar para o Norte do Paraná. Por falta de condições e de meios de transporte, a maioria trazia apenas o que era considerado necessário e quase sempre nenhum móvel. Foi aí que, em 1942, ele abriu a Fábrica de Móveis Petereit, a primeira que consta nos registros da historiadora Naici Vasconcelos. A empresa se tornou também a primeira do setor a se registrar oficialmente com a criação do novo município.
  A pioneira Henriqueta Petereit, com 94 anos, se lembra com detalhes da chegada da família a Arapongas, da criação da empresa e de todas as atividades que desenvolveu em sete décadas. ‘‘Quando a gente chegou, aqui era tudo mato, aquele capoeirão; não havia nada. Até algumas ruas do lugar eu ajudei abrir’’, afirma a dona Henriqueta.
  Ela conta ainda que os móveis mais produzidos na indústria eram mesas e baús usados para guardar enxoval de noivas. Outro artigo que ela não gosta de se lembrar muito é que em várias ocasiões a empresa também fabricou urnas funerárias.
  A lucidez de dona Henriqueta impressiona. Ela se lembra, inclusive, dos nomes dos três primeiros funcionários da indústria: Joãozinho, Alberto e Silvio.
  Sempre ativa, a pioneira diz que não se dedicava o tempo todo à fábrica de móveis. Ela gostava mesmo era de costurar. Além disso, fazia bolos que ajudaram a construir a primeira igreja matriz da cidade, ainda em madeira, e depois a nova, em alvenaria. O trabalho voluntário é motivo de orgulho. ‘‘Eu não vencia fazer bolo porque era muito bem feito; o pessoal pedia para fazer mais e eu dizia, vou fazer. Os bolos rendiam um bom dinheiro, que só vendo’’, afirma.
  A dona Henriqueta conta que o marido tocou a fábrica por uns 10 ou 12 anos, ou seja, até meados da década de 1940. Depois, ele foi trabalhar em uma serraria que, na época, era um excelente negócio na região. A pioneira teve mais dois filhos em Arapongas e ficou viúva em 2002.

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