Previsão é de preços inalterados
A confirmação do foco de aftosa no Paraná não irá prejudicar somente os exportadores de carne. A crise desencadeada pela doença atingiu em cheio os pecuaristas, envolvidos ou não com a questão. Principalmente neste primeiro semestre do ano, os criadores continuarão amargando preços baixos. A boa notícia, no entanto é que o preço pago pela arroba não deverá cair mais. A tendência é que os custos fiquem nos patamares atuais - cerca de R$ 48 - podendo chegar a R$ 53.
Preços baixos no campo não significa necessariamente preços baixos ao consumidor. As perspectivas é que no varejo os custos não sejam reduzidos. É importante lembrar que um terço do mercado é dominado pelos grupos Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour. Isso confere uma força brutal aos varejistas, impedindo que os preços caiam, avalia José Vicente Ferraz, diretor-executivo do Instituto FNP, órgão privado que analisa o agronegócio.
Já o veterinário Fábio Mezzadri, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), diz que no Paraná os atravessadores é que costumam abocanhar essa diferença de preços. Com os embargos do mercado externo, a carne paranaense deve abastecer o mercado interno nacional. Os demais Estados - fora Rio Grande do Sul e Santa Catarina - estão comprando cortes e carne desossada e isso agrega mais valor ao nosso produto, explica.
A tendência é que a crise gerada no Estado pela aftosa traga reflexos para toda a economia, principalmente, nos pequenos municípios. Os criadores de gado de corte e de leite são os mais afetados. A pecuária está enfrentando uma frustração de preços há dois anos. Em 2004 houve o problema com o Frigorífico Margen e, neste ano, ocorreu a aftosa. E, em 2006, alguns Estados ainda serão penalizados com os embargos internacionais, avalia Ferraz. Por isso, a plena recuperação de preços para os criadores só é aguardada para 2007. (F.M.)





