São Paulo Infelizmente, é só quando aparecem os problemas que as pessoas notam a existência da glândula tireóide. Ela fica no pescoço, abaixo do pomo-de-adão, e produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que estimulam o metabolismo. Por um erro do organismo, essa glândula pode liberar hormônios demais (hipertireoidismo), ou de menos (hipotireoidismo), em homens e mulheres, apesar de atingir muito mais elas que eles.
Apesar de essas alterações serem mais comuns após os 40 anos, elas podem ocorrer em qualquer idade, como ressalta o endocrinologista Hans Graf, chefe da unidade de Tireóide do Serviço de Endocrinologia e Metabologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''Na maioria dos casos, por um erro de vigilância do sistema imunológico, ocorre a produção de anticorpos contra a própria tireóide. No hipotireoidismo, podem levar à destruição da glândula, ao passo que no hipertireoidismo pode existir um aumento de função por anticorpos estimulantes da tireóide.''
O paciente já nasce com uma predisposição genética para desenvolver a doença e algum motivo ambiental ou estresse funciona como gatilho para acionar a alteração imunológica. No hipotireoidismo, os sintomas mais comuns são pele seca, unhas quebradiças, queda de cabelo, depressão, cansaço, intolerância ao frio, ganho de peso e alterações na memória. No hipertireoidismo, palpitações, taquicardia, emagrecimento, insônia, nervosismo e até olhos saltados.
Quando se produz de menos, os hormônios tireoidianos são repostos. Para o hipertireoidismo, há tratamentos variados. ''Eles incluem drogas que bloqueiam a produção de hormônio tireoidiano e iodo radioativo. Também há casos de cirurgia'', diz Graf.
Entre as formas de prevenção estão os exames laboratoriais de sangue que medem a dosagem do hormônio TSH, produzido pela hipófise, e dos hormônios T3 e T4, produzidos pela tireóide. Eles podem começar a partir dos 30 anos, para detectar qualquer tipo de alteração.
''Quando há casos na família, deve-se investigar mais cedo, particularmente na gravidez'', diz o endocrinologista Mário Vaisman, do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O auto-exame é outro recurso útil.
A maioria dos nódulos na tireóide é benigna. Os malignos correspondem aos diagnósticos de câncer, mas ainda assim existe tratamento, com a retirada da glândula. ''Depois da cirurgia, se faz complementação com iodo radiativo e os hormônios tireoidianos são repostos. Em cerca de 85% dos casos, segue-se com uma vida normal'', diz Graf.

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