Prêt-à-Porter
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
Mariela de Castro Santos 
Fotos Raphael ViO trench-coat em gabardine é do mesmo tecido da calça e faz parte da linha Collection. A blusa em rayon faz o estilo gola boba, que pode ser usada virada tanto para dentro quanto para foraA ferveção no circuito fashion não pára. Depois do agito paulistano com o Phytoervas e o Morumbi Fashion, em fevereiro, os holofotes curitibanos se voltam para o estilista Jefferson Kulig. No próximo dia 20, ele lança a nova coleção de sua griffe Vooss, investindo muita munição no que é hoje uma tendência mundial - ter uma griffe chique, que em geral leva o nome do estilista, e uma mais acessível.
Uma das características da Vooss é a possibilidade de conjugar peças básicas com sofisticadas, criando diferentes visuais. A calça (linha Collection) combina com a blusa listrada de tricô. Cinto de crochê e malha estilo camisa, também de tricô (linha Basic).
Os grandes estilistas já descobriram que este o caminho das pedras para o coração do consumidor. Ao criar uma segunda marca, para um público um pouco diferente, interessado em roupas mais usáveis no dia-a-dia e mais baratas, sem deixar de lado o charme da griffe, os estilistas ampliam seu leque de clientes em potencial. Jean Paul Gaultier tem a Jean Paul Gaultier Jeans, Giorgio Armani criou a Giorgio Armani AX (símbolo quase onomatopéico para Exchange), Gianni Versace oferece a linha Versus.
No Brasil, o festejado Reinaldo Lourenço criou a Reinaldo Lourenço Tricot, com preços mais em conta e modelitos não tão restritos ao circuito fashion-descolado. A segunda marca oferece a possibilidade de usar roupas que já têm um estilo, sem que a própria pessoa precise de grandes ousadias ou muito esforço para se enquadrar nisso, explica Jefferson Kulig.
Nesta nova coleção da Vooss, já resvalando no outono-inverno, Kulig abusou de cores como o verde-militar, os tons de bege e várias nuances de marrom, do café ao chocolate, incluindo um tom que ele apelidou de nescau. O inverno vai ser mais cool, sem cores fortes, acredita.
Marrom é a cor predominante na coleção outono/inverno da Vooss, que tem peças ao mesmo tempo ousadas e limpas como esta malha em rayon, com transparências estratégicas
Nos tecidos da coleção da Vooss, há uma volta a texturas mais humanas, menos sintéticas. Assim, Kulig preferiu se identificar com o trabalho quase artesanal do tricô, do crochê e da malharia em geral, usando algodão, bouclê, lã e rayon em peças gostosas como twin-sets e cardigans curtos e longos. Nessas peças, que são folgadas mas têm molde acompanhando a silhueta do corpo, aparecem também o vermelho e o xadrez em tons quentes.
Para o frio, Kulig desenvolveu casacos 7/8 e paletós em diferentes comprimentos, com três ou quatro botões, às vezes substituídos por ferragens ou fivelas. As calças são retas e secas, mantendo uma linha que já foi forte no verão. Completando a coleção, botas de couro de cano longo, cintos e bolsas de crochê.


