Embora não existam números exatos sobre a atual presença de imigrantes japoneses e seus descendentes no município, o presidente da Liga das Associações Culturais de Assaí (Laca), Cairo Koguishi, 69 anos, estima que haja em torno de mil famílias nipônicas no município. Com ou sem dados, a presença japonesa é latente nas ruas da cidade, com os letreiros escritos em português e japonês em muitas fachadas, inclusive da igreja evangélica Metodista. Dentre os eventos que marcam o calendário festivo da cidade estão o Bon Odori e o Tanabata.
  Sobre a Liga que preside, fundada em 1968, Koguishi comenta que a mesma engloba 12 associações culturais. ‘‘Desde 1935 os japoneses fazem associação em Assa풒, comenta. E o fato das associações serve também para ilustrar o atual estágio de preservação das tradições. O costume de fundar associações culturais era a forma de os imigrantes encontrarem entretenimento; em um tempo que o Norte do Paraná era essencialmente rural. ‘‘Agora, a diversão está em todos os lugares’’, comenta o presidente da Laca.
  ‘‘À medida que o tempo passa, a cultura japonesa vai se mesclando com outras. Isso é natural e tem que acontecer. Mas é inegável que o interesse pelas tradições vai diminuindo. Seria muito bom que coisas positivas dos nossos ancestrais fossem mantidas para sempre, como a vontade de trabalhar, transparência, valorização do ensino escolar. Tudo isso é orgulho da nossa raça’’, complementa Koguishi.
  Notadamente na área rural, a presença da colônia japonesa ainda é muito forte. Aí está um problema: os mais velhos ficam na terra, enquanto os jovens não demonstram grande interesse em trabalhar com as lavouras. Daí o fenômeno de muita gente que deixa Assaí para trabalhar no Japão, fazendo um movimento pendular Brasil-Japão-Brasil de acordo com o comportamento da economia desses países. Das centenas de dekasseguis que voltaram para o município após a crise que atingiu o Japão em 2009, boa parte já está novamente no país asiático.
  Agricultor, Koguishi conta com a ajuda de um dos quatro filhos - Lídio, 35 - em sua propriedade. Entusiasta dos cafezais, pai e filho mantém 15 alqueires de café, que tratam com grande cuidado, apostando que a qualidade do produto final é o segredo para conseguir sucesso com esse produto. Plantam também soja, milho, caqui e laranja. O cultivo do café é uma forma de manter uma tradição da região Norte do Paraná, embora o algodão tenha sido o carro-chefe da economia de Assaí durante décadas passadas.

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