Presentes com arte
Proporcionar brindes de Natal que sejam criativos, diferentes, bonitos e ainda por cima que tenham custo acessível é tarefa muitas vezes árdua para as empresas. Nesta época do ano, o pessoal de marketing e as agências de propaganda têm que dar asas à imaginação para não cair no lugar comum da agenda ou do cartão de Natal que vai para o lixo assim que terminam as festas.
Prática comum na Europa, presentear clientes com obras de arte ainda é visto como algo um tanto elitista no Brasil. É possível fazer peças belas e duráveis, marcando a imagem da empresa com bom gosto sem que ela precise gastar muito, rebate Claudia Salviano, da galeria de arte Noris. O trabalho de Claudia é unir dois interesses: de um lado, a empresa que quer um brinde personalizado, e de outro, artistas que procuram divulgar sua obra.
A partir de uma conversa com o empresário, Claudia sugere a obra de arte que julga apropriada dentro do orçamento do cliente. A partir daí, consulta seu catálogo de artistas - escultores, pintores, desenhistas - para definir o que, como e quem vai executar. Normalmente o número de peças varia de 50 a 500, mas isso fica a critério da empresa.
Depois de seis anos morando em Madri, onde realizava esse tipo de trabalho para grandes empresas de toda a Europa, Claudia decidiu que o Brasil já podia comportar a novidade. Meu papel é instruir os empresários, mostrando-lhes que tipo de peça é adequada a cada cliente ou ocasião, explica. Como a idéia é nova no Brasil, algumas pessoas ainda hesitam, afirma.
Para as empresas, adotar como brinde uma obra de arte é um inegável diferencial. Arte é algo perene, o que faz com que o nome da empresa seja lembrado durante mais tempo, avalia o diretor de comunicação da multinacional New Holland, Milton Rego. Sem contar que uma peça artística transcende as relações meramente comerciais. Um quadro pendurado na parede de casa ou uma escultura sobre a mesa do escritório estimulam uma relação afetiva, que uma agenda jamais traria, afirma. A New Holland estuda a possibilidade de encomendar uma escultura temática para comemorar o lançamento de um novo produto no ano que vem. Outra empresa do mesmo grupo, a Fiat Allis, de Belo Horizonte, certa vez usou como brinde de Natal gravuras de artistas mineiros, para clientes e concessionários.
Não é preciso ser uma megaempresa para adotar arte como brinde, no Natal ou em qualquer data comemorativa. A flexibilidade de custos dentro do orçamento do cliente é uma das características desse tipo de trabalho. A indústria Blount, por exemplo, encomendou apenas quatro esculturas em madeira do paranaense Alfi Vivern. Pensei que sairia muito caro, mas me surpreendi ao notar que ficaria na mesma faixa de preço dos nossos brindes em anos anteriores - canetas Mont Blanc, champagne francês, afirma o gerente de propaganda e promoções da Blount, Francisco Mendonça.





