Assim como as quitandas e mercearias, eles compõem um tipo de comércio que resiste à passagem do tempo e aos novos hábitos urbanos. Os armarinhos, lojas que vendem novelos de lã, agulhas de diversos tipos, fitas, fios e carretéis de linha, entre outras matérias-primas, evocam uma época de simplicidade. Entrar em uma dessas lojas pode ser o início de uma viagem no tempo.
E também de descobertas. Este segmento do comércio vem investindo cada vez mais nas novidades, atraindo quem ganha a vida com artesanato e, principalmente, aqueles que procuram nos trabalhos manuais um novo ''hobby'' ou até uma forma de terapia.
Depois do MDF (Medium Density Fiberboard - Fibra de Média Densidade), material apontado como o substituto da madeira na confecção de caixas, molduras e porta-retratos, entre outras peças, destacam-se os adesivos, o verniz com gliter - que dá aos trabalhos um brilho especial - a tinta relevo e o vidro líquido que proporciona um acabamento diferente a trabalhos de pintura, criando um aspecto de quadro emoldurado.
''Hoje está muito mais fácil trabalhar com artesanato. Há produtos e técnicas novas que permitem a qualquer pessoa produzir um trabalho legal, não precisa ter vocação'', garante Lis Erzinger, de 29 anos, que faz bordados desde os seis. Atualmente, ela é vendedora em um armarinho localizado na Praça Rui Barbosa, onde orienta as clientes que costumam lotar o lugar às segundas-feiras. ''Elas assistem aos programas de tv do fim de semana que mostram trabalhos de artesanato e correm pra cá na segunda para comprar os produtos. Vêm também homens à procura de artigos para tapeçaria'', destaca Lis.
Os cursos de tricô, crochê e afins são um atrativo à parte nos armarinhos, que também estão se tornando cada vez maiores. Na loja do empresário chinês Hii Va, na Rua Voluntários da Pátria, no Centro, as aulas realizadas nas tardes de segunda a sexta-feira atraem, em média, 15 pessoas por dia. ''Esse é um bom negócio. No inverno, as vendas de lã chegam a aumentar 60%'', informa ele, que mantém um segundo armarinho na capital.
A dona de casa Maria Bittencourt estava procurando material porque há pouco tempo ''começou a aprender'' tricô. ''Apenas para me distrair'', garante. Mas, há quem invista alto. Um dos assíduos frequentadores de armarinhos é o artesão equatoriano Francisco Pinsag, de 46 anos, que vende suas peças na feira do Largo da Ordem. ''A quantidade que compro depende muito da demanda, mas, em média, gasto de 300 a 500 reais por mês com lã e linhas'', diz ele.
Trabalhando há dois anos em armarinhos, a vendedora Gisele Rosa ressalta outro aspecto desse trabalho: a paciência para conseguir atender as ávidas clientes que querem se tornar artesãs ou apenas se distrair confeccionando peças de lã e crochê. ''Não é uma venda como outra qualquer. É preciso ter muita paciência porque muita gente confunde os produtos, não sabe exatamente o que quer. Tem cliente que pede lã, mas precisa de novelos de linha, e depois volta para trocar'', exemplifica.

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