Presença dos pais ajuda recuperação
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Luciana Pombo 
Participar ativamente do processo de melhoria da saúde do paciente. Este é o papel da família das crianças internadas no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. O programa Família Participante foi implantado em 1991, de forma gradual. Atualmente, entre 150 a 200 familiares circulam, por período, dentro do hospital. O que fazemos é tornar os pais participantes do tratamento do filho, afirma Maria Dolores Garcia de Faria, chefe do serviço de psicologia do hospital.
O programa atende aos familiares dos pacientes internados pelo SUS (70% do total). Os familiares podem permanecer por 24 horas dentro do hospital, estimulando os filhos durante todo o tratamento. Eles recebem uma cartilha, participam de palestras e assistem a fitas de vídeo. Tudo acompanhado por uma equipe de sete psicólogos, oito estagiários do curso de psicologia hospitalar, além de enfermeiras e assistentes sociais.
Desde a implantação do programa, Maria Dolores faz um acompanhamento mensal dos resultados obtidos junto aos pacientes. De acordo com ela, os resultados são surpreendentes: o índice de infecção hospitalar caiu de 10% para 4%, e o tempo de permanência das crianças diminuiu de 12 para seis dias em média. Acho que este programa nunca poderá acabar, afirma ela. Outra conquista destacada pela psicóloga é a redução no número de reinternamentos.
Os pais são identificados facilmente pelas psicólogas e enfermeiras. Eles usam guarda-pós e permanecem sentados ao lado dos filhos dentro das enfermarias e UTIs. De acordo com ela, 85% dos pais participam do programa.
O próximo passo, segundo ela, será implantar um programa para fazer com que os irmãos possam visitar e acompanhar os pacientes. Constatamos que muitas crianças ficam tristes por sentirem falta das brincadeiras com os irmãos, diz Maria Dolores.
Maria Joaquim dos Santos, de 36 anos, acompanha o filho durante todo o período de internamento. Ela disse que faz todo o tipo de trabalho dentro do hospital, de levá-lo ao banheiro até pegar no colo e passear pelos corredores com ele. Paulo Jorge dos Santos Júnior tem 7 anos e sofre de problemas cardíacos. A cada seis meses, ele é levado para tratamento no Hospital Pequeno Príncipe. Eu passo a noite sentada nesta cadeira, meu filho se sente protegido e eu fico melhor, afirma a mãe.


