Nos dias de sol, quando os termômetros se aproximam - ou até ultrapassam - os 30 graus, quem mora em Curitiba tem nos clubes recreativos uma das principais opções de lazer. As piscinas são os locais preferidos de crianças, adolescentes e adultos. Até mesmo para quem não sabe nadar, o que pode tornar a atividade perigosa.
Para evitar acidentes, é fundamental que os banhistas sejam observados por um profissional habilitado, o conhecido salva-vidas, cuja presença junto às piscinas dos clubes da cidade agora é lei.
''Quando meu filho me pediu para frequentar a piscina, fui até lá e a primeira coisa que perguntei foi sobre a presença do salva-vidas. Essa lei tem uma importância enorme porque nem todo mundo se preocupa em verificar a presença deste profissional no clube'', conta Ana Maria Garcia, referindo-se ao Clube Literário, no bairro Portão.
No verão passado, o filho dela, Jeferson Garcia, de 12 anos, passou boa parte das tardes no local. ''Em uma ocasião, ele comentou que viu um rapaz cair na parte mais funda da piscina e ser retirado pelo salva-vidas. Já pensou se essa pessoa não estivesse lá?'', questiona Ana.
Sancionada em julho passado pelo prefeito Beto Richa, a lei 123.344/5 é resultado de um projeto do ex-vereador Ney Leprevost, hoje deputado estadual, em parceria com o vereador Mario Celso Cunha. Na época, Leprevost justificou a iniciativa informando que a legislação ''visa garantir maior segurança a todos, além de gerar empregos para os guarda-vidas e proteger os clubes que estarão funcionando dentro das normas de segurança''.
Para a administração dos principais clubes de Curitiba, a nova lei municipal apenas ratifica uma norma que sempre foi cumprida. ''O clube sempre manteve equipes de salva-vidas. Para nós, não é novidade, mas considero que uma lei como essa sempre é válida'', informou Fábio Fernandes, gerente-geral do Clube Literário, que mantém um parque aquático com oito piscinas. O local, segundo ele, recebe cerca de 350 pessoas por dia. ''No momento, estamos trabalhando com dois salva-vidas, mas podemos reforçar o quadro durante o verão.''
Um dos mais tradicionais clubes da capital, o Curitibano, no bairro Água Verde, contratou, por meio de uma empresa terceirizada, quatro profissionais para cuidar da segurança dos cerca de 1,2 mil banhistas que frequentam as seis piscinas do lugar. ''O clube, em sua norma interna, já visa esse procedimento. Sempre mantivemos equipe de salva-vidas, com reforço de outubro a março. Concordamos e apoiamos essa lei, que visa o bem-estar do usuário. O custo com a contratação dos guarda-vidas já está previsto no orçamento do clube, não tem impacto na mensalidade do associado'', comentou Fred Chevalier, diretor do Clube Curitibano.
Na avaliação do diretor de esportes do Clube Santa Mônica, localizado em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, a lei sancionada vem ao encontro das preocupações que o clube teve, tem e sempre terá quanto a permanência de guarda-vidas em suas piscinas. ''Usamos o termo 'guarda' por ser esse o nosso objetivo, antes e acima de tudo'', informou Carlos Zanetti.
O Santa Mônica recebe, durante a alta temporada, aproximadamente 1,5 mil pessoas por dia em seu parque aquático, onde estão instaladas cinco piscinas. De acordo com a administração, há, no mínimo, um guarda-vida por piscina. O clube possui ainda duas piscinas aquecidas, com frequência de até 500 pessoas por dia o ano todo.

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