Quem dirige pelas ruas de Curitiba volta e meia encontra crianças, às vezes muito pequenas, fazendo ''bicos'' pelas esquinas. Um levantamento feito pela Central de Resgate Social (CRS), ligada à Fundação de Assistência Social (FAS) da Prefeitura de Curitiba, apontou que existem hoje cerca de 273 crianças que estão, frequentemente, nos semáforos da capital. Os números incluem as que fazem malabarismo, vendem algum tipo de produto - como balas e chicletes - e as que simplesmente pedem dinheiro.
O programa ''Criança em Segurança'', da CRS, tem equipes de plantão 24 horas por dia, com rondas em locais mais críticos e também recebe solicitações pelo 156. Crianças de até 12 anos são retiradas dos semáforos e encaminhadas para a Central, que aciona o Conselho Tutelar. As que têm mais de 12 anos são orientadas a voltarem para casa, a menos que estejam na companhia de adultos e em situação de risco. ''Neste caso, acionamos a Guarda Municipal e retiramos a criança'', explica a coordenadora da Central, Eliana Oleski.
Segundo a coordenadora, a esmola ou ajuda dada pelas pessoas acaba dificultando o trabalho de assistência social. ''Elas acabam usando o dinheiro para outros fins, como compra de solventes e até drogas'', revela. A orientação é que as pessoas que queiram ajudar destinem suas doações para o Fundo Municipal da Criança ou outros conselhos. ''Se essas crianças não obtiverem mais esse dinheiro nas ruas, vão aceitar nosso atendimento'', prevê. (M.M.)

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