Prefeitura vai propor mudanças nas feiras de gastronomia
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terça-feira, 31 de julho de 2007
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
A Secretaria Municipal de Abastecimento de Curitiba deve iniciar dentro dos próximos dias uma série de reuniões com pessoas que trabalham em feiras gastronômicas da cidade. Segundo Luiz Gusi, diretor de abastecimento comercial da secretaria, a prefeitura vai propor mudanças nos três pontos públicos de feiras de gastronomia, no Batel (que recentemente mudou de endereço), no Capão Raso e no Cristo Rei, onde trabalham ao todo 45 feirantes.
''Vamos discutir um projeto de educação sanitária, padronização de barracas e manejo de resíduos'', disse Gusi. ''A questão da educação sanitária diz respeito ao transporte, armazenagem e manipulação dos alimentos. Faremos um diagnóstico, depois uma reunião com os feirantes e então um cronograma de ação. Normalmente, a adesão é voluntária e depois promovemos a fiscalização'', explicou.
''Quanto ao manejo de resíduos, como óleo e papéis, faremos uma orientação de conduta em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente'', afirmou Gusi. O diretor apontou que esses dois tópicos são prioritários e que a padronização das barracas será discutida depois.
''Não exigimos muitas mudanças, mas queremos um padrão. Trabalhos em cima de um protótipo, que será apresentado e discutido com os feirantes. A definição levará em conta os aspectos de higiene, estética e funcionalidade. Será criada uma identidade visual. Alguns modelos já estão em estudo. Será algo simples, não vai ser difícil adaptar''. O diretor apontou que a padronização já foi implementada nas feiras livres e orgânicas de Curitiba.
Gusi acredita que as preocupações sanitárias e com o manejo de resíduos e a padronização das barracas são importantes para o fortalecimento das feiras gastronômicas de Curitiba.
''É necessário ter uma visão de grupo e da marca. Se uma pessoa reclama de um atendimento numa feira gastronômica, ela está falando mal da feira inteira'', afirma o diretor.
Repercussão - O feirante Hector Balbino vende empanadas argentinas na feira gastronômica do Cristo Rei desde que ela foi criada, há três anos. Ele considera que qualquer mudança para melhorar as condições sanitárias e de manejo de resíduos da feira é bem vinda.
''Todo ano temos curso sobre isso na Secretaria de Abastecimento. Estou lutando para colocar trailers na feira porque são mais higiênicos. Já estamos com seis trailers aqui e outros estão providenciando'', diz Balbino.
Perguntado sobre a hipótese de padronização das barracas, o feirante acha que a mudança não é ''prioritária''. ''A qualidade de atendimento e da comida e a área de alimentação são importantes. Não vejo tanta necessidade de padronizar as barracas. Qualidade, nós temos. Trabalho em cinco feiras gastronômicas (as do Cristo Rei, Capão Raso e do Batel, além de duas em locais particulares) e a feira do Cristo Rei é a melhor. Além da boa comida e do bom atendimento que oferecemos, esta é a primeira feira gastronômica coberta de Curitiba'', afirma Balbino.
Lourdes Martins de Oliveira, que vende pastéis, crepes e outros salgados na feira do Cristo Rei, acredita que a padronização das barracas ajudaria a trazer mais clientes para a feira.
''Seria bom se tivéssemos um padrão. A feira ficaria mais bonita e organizada. Por exemplo, só de colocarmos toldos com o mesmo tamanho, já ficou melhor. Deu outro visual para a feira'', diz a feirante.
Com a venda de seus salgados no Cristo Rei e em outras quatro feiras, Lourdes sustenta uma família de cinco pessoas.
''A feira do Cristo Rei é muito de família, da comunidade da região. Tem gente que vem aqui desde que começou'', explica. ''O cliente de feira noturna é fiel. Aqui não tem muito turista'', concorda Balbino.


