Os municípios de Agudos do Sul e Piên, localizados na divisa do Paraná com Santa Catarina são bastante parecidos. O primeiro tem 8.200 habitantes, o segundo, pouco mais de 10 mil. Ambos estão a menos de 80 quilômetros de distância da capital, pertencem à Associação dos Municípios da Região Sul-Leste do Paraná (Ansulep) e dividem a mesma vocação para a produção de madeira. Até suas dimensões são parecidas (191,30 km2 e 254,90 km2, respectivamente). Apesar dessas semelhanças, Agudos do Sul faz parte da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e Piên não.
''Quando eu perguntei quais seriam as vantagens de entrar (na RMC) ninguém soube me responder'', justifica o prefeito de Piên, Francisco Marquês (PSDB). Ele conta que no ano passado houve uma votação das lideranças políticas da Assembléia Legislativa que abriu uma possibilidade para que o município viesse a fazer parte da região, mas após avaliar prós e contras dessa situação, ele achou melhor permanecer de fora. ''Ao meu ver, se entrasse, estaria perdendo'', avalia.
Seu vizinho, o prefeito José Pires de Oliveira (DEM), de Agudos do Sul, tem opinião diferente. Segundo ele, desde que o município passou a fazer parte da RMC, em 1997, só há o que comemorar. ''Antes a passagem de Agudos a Curitiba era R$ 12, agora é R$ 2,80'', afirma.
Além do transporte, na avaliação do prefeito, o município estaria agora mais apto a receber indústrias. ''A tendência de Curitiba é crescer para o Sul, elas (as indústrias) vão sair de lá e vir pra cá'', prevê Oliveira, que apresenta como grande trunfo dessa atração a próximidade com Santa Catarina.
Pois foi justamente o aspecto industrial que pesou mais na decisão do prefeito de Piên de manter a cidade fora da RMC. Segundo ele, o município tem hoje um parque industrial bem desenvolvido, pronto para receber novas indústrias. Essa atração seria ameaçada caso tivesse que reduzir sua taxa de isenção de ICMS. ''Hoje Piên pode isentar até 95% do ICMS'', explica. Se viesse a fazer parte do grupo da região metropolitana, esse percentual teria que ser menor. Sobre o transporte coletivo, ele também é cético em relação a tantas vantagens. ''Não temos tantos habitantes assim trabalhando em Curitiba e acredito que podemos reduzir o custo da passagem de outras formas'', avalia. (A.A.)

mockup