Nas pequenas cidades, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é imprescindível para fechar as contas das prefeituras. Em Inajá, localidade do Noroeste com 2.876 habitantes, a fonte representa quase 90% de todo o orçamento, que é de cerca de R$ 6 milhões anuais. Resta à administração usar a criatividade para atacar as carências da população.
Em seu quarto mandato, o prefeito Nilson Camargo Monteiro (PMDB) conta que a maioria dos trabalhadores se ocupa do corte de cana. Com salários baixos, eles ‘‘giram’’ muito pouco a economia. ‘‘Nossa arrecadação, de R$ 50 mil mensais, dá só para a folha de pagamento (53,8%) e o resto é para cumprir as metas com educação e saúde’’, diz. Para ter um médico-gerente do hospital, Inajá paga R$ 30 mil mensais. ‘‘Se não for assim, ninguém vem.’’
Uma antiga dívida com o Fundo Municipal de Previdência barra convênios e há oito anos não é construída uma única casa popular. ‘‘O Município doou 80 lotes para as famílias construírem com recursos próprios’’, diz. Rede de esgoto não existe: a população teme a conta no fim do mês.
Para Monteiro, é preciso que os governos Estadual e Federal estimulem a instalação de pequenas empresas nas cidades pequenas. ‘‘Não há política para atender os pequenos municípios.’’

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