Mesmo se tratando de uma cidade pequena, encontrar o prefeito de Doutor Ulysses, Pedro Júnior Anselmo de Assis (PMDB), não foi tarefa fácil para a reportagem da FOLHA, que esteve em duas ocasiões no município, telefonou dezenas de vezes e deixou vários recados.
Nesta semana, o prefeito, que estava em Curitiba, finalmente atendeu a uma ligação feita para o seu celular e conversou com a reportagem. Ele admitiu ser candidato à reeleição, mas justificou a dificuldade de contato relatando o intenso trabalho em prol da cidade.
Questionado sobre a falta de asfalto na PR-092 nos trechos que atendem o município, ele diz que o progresso de Doutor Ulysses, em grande parte, depende da pavimentação. ''O asfalto é algo essencial, que precisamos com urgência. As indústrias não se instalam na cidade devido à falta de acesso. Podemos citar o exemplo da nossa grande produção de pinus. Hoje, fazemos o papel de 'barriga de aluguel', pois não existe um imposto referente ao corte e ao plantio das árvores. As taxas são recolhidas onde a madeira é beneficiada. Tentamos fazer uma lei municipal para o recolhimento de impostos sobre o corte e o plantio, mas não tivemos êxito jurídico'', lamenta.
Assis lembrou que existe o compromisso do governador Roberto Requião (PMDB) de levar o asfalto até a cidade antes do fim de seu mandato.
A ansiedade dos ulyssenses pela pavimentação fez com que Requião tivesse uma votação maciça no segundo turno das últimas eleições para o governo do Estado na cidade: 86% dos votos.
Sobre as outras ações da prefeitura para melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município, o segundo pior do Paraná, Assis explica que uma grande dificuldade é romper as barreiras do Tribunal de Contas (TC). ''Há problemas com a prestação de contas do ano de 2004, com isso deixamos de receber verbas. Estamos trabalhando para deixar tudo certo com a nossa contabilidade.''
Sem rede de esgoto na cidade, o saneamento básico também é prioridade, assim como ampliar a captação de água. ''Já perfuramos dois poços artesianos e estamos aguardando a liberação de recursos federais para complementar o serviço.''
Quanto ao fato de um ônibus superlotado transportar crianças para a escola, o prefeito lamentou não receber a contrapartida ideal do Governo do Estado. ''Quase metade dos estudantes que transportamos são da rede estadual. Porém, no ano passado gastamos R$ 600 mil com o transporte escolar e recebemos um repasse de apenas R$ 75 mil do Estado. É importante ressaltar que fazemos um grande esforço para que nenhuma criança fique fora da escola'', finalizou. (W.S)

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