As reformas no Asilo São Vicente de Paulo eram necessárias. Segundo o diretor da instituição, padre José Aparecido Pinto, o local era um ambiente precário que já não atendia mais as necessidades das moradoras.
A negociação para que o asilo recebesse a Casa Cor Paraná deste ano foi longa. Antes de acertar o contrato, um plano piloto foi montado com o apoio de assessorias em diversas áreas. Nessa época as conversas com a diretora da Casa Cor, Marina Nessi, foram tomando forma e o projeto se adequando às necessidades do asilo com a realidade do evento.
Para pensar as adaptações de um prédio com 83 anos, foram oito meses de planejamento e levantamento de patrimônio. Também foi necessário um parecer técnico do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC). Detalhes acertados, chegou a hora de preparar a mudança das moradoras - 30 mulheres habitavam a área que recebeu as reformas, algumas ali há mais de 20 anos. Elas estão provisoriamente em um outro prédio do asilo.
Uma delas é Itanisia Mendes Cardoso, de 67 anos. Há 36 ela mora no São Vicente de Paulo e precisou deixar seu quartinho, temporariamente, para ser transformado em um dos espaços de exibição arquitetônica. Apesar de afirmar ter gostado da nova instalação, ela conta que sente falta do seu "cantinho" onde deixava exposta a coleção de santos e tinha sua televisão particular.
"A reforma ia acontecer, independente da Casa Cor. Mas, antes, mobilizamos todos os nossos técnicos - médicos, assistentes sociais e psicólogos - para avaliar o impacto da mudança na casa. E foi muito bom porque ali percebemos que era mesmo necessário pararmos para avaliar a realidade do asilo", explica o padre José Aparecido Pinto.
Durante o período, a convivência das moradoras será intensificada. "Com 9 mil metros quadrados de terreno, todas ficavam muito distantes. As mudanças acabaram aproximando todos, o impacto tem sido bem positivo", conta o diretor.
Dona Leocádia Ramos da Silva, 67 anos, chegou há apenas cinco meses na casa, mas tem gostado do clima de proximidade com as outras moradoras e está ansiosa para ver as belezas que a reforma trará. Ela não morava no prédio C, que receberá a Casa Cor, porque tem as duas pernas amputadas e usa cadeira de rodas (o prédio C tem várias escadas). Maria Mansur, 80 anos, acha que a casa como estava era muito triste. Ela diz que tem curiosidade de conhecer as mudanças e, "se Deus der forças", faz questão de visitar a exposição.

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