Quando começou a atuar no ramo das investigações particulares, em 1980, o detetive Abílio (nome fictício) conta que havia apenas cinco profissionais dessa área na lista telefônica de Curitiba. Naquele tempo, a maioria dos casos girava na esfera conjugal, com maridos desconfiados de esposas infiéis e vice-versa.
''Hoje é muito homem com homem, mulher com mulher e problema com drogas'', conta o profissional. Apesar dessas variações, as suspeitas de infidelidade ainda correspondem a 60% dos casos que aparecem em sua empresa. Outros clientes frequentes são pais que suspeitam do envolvimento dos filhos com traficantes.
Uma diária média de um detetive particular, em Curitiba, custa R$ 300. Geralmente são fechados pacotes. ''Quanto mais tempo, melhor a investigação'', garante Abílio, que confessa levar em conta o poder aquisitivo do cliente na hora de fazer seu preço.
É difícil precisar o número exato de detetives que atuam na capital paranaense, pois o registro no Conselho Regional de Detetives do Paraná (CRD-PR) não é obrigatório. Segundo o presidente da entidade, Walmir Battu, muitos tiram somente o alvará de autônomo na prefeitura para começar a trabalhar.
Para efeito de comparação, em Londrina são três detetives com registro no conselho e cerca de 20 atuando na prática. Em Curitiba existem 70 profissionais cadastrados. ''Por aí você pode calcular quantos trabalham sem registro.''
Na hora de fazer o documento, além do curso, é preciso atender outras exigências, como ter bons antecedentes, recomendação de alguma autoridade e passar por uma avaliação psicológica. ''São quase as mesmas exigências do porte de arma'', explica Walmir Battu.

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