Dependendo da área de formação, é praticamente obrigatório – pelo menos no entendimento dos próprios alunos e profissionais da área – ter uma especialização ou pós-graduação, como nas áreas de saúde, por exemplo, onde médicos recém-formados logo buscam uma residência na área desejada. Já na área de humanas, alguns cursos como comunicação, publicidade ou administração, só para citar alguns exemplos, há alunos que avaliam equivocadamente que o mercado de trabalho não necessariamente "pede" um curso do tipo, e por isso ficam na dúvida se realmente vale a pena gastar tempo e dinheiro fazendo um curso após terminada a graduação.
Para o professor da PUCPR e doutorando em Ciências Contábeis e Administração, Silvio Teixeira, a pós-graduação lato sensu, especialização, deve ser encarada pelo aluno como um requisito obrigatório para se posicionar acima do nível intermediário na sua área de atuação. "Mesmo não sendo um diferencial exclusivo, é condição necessária para não ficar na parte debaixo do quadro de funções e salários".
Segundo o professor, segmentos específicos ainda primam muito pela qualificação e especialização do colaborador, em especial as áreas de negócios, engenharias, tecnologia e educação. "Essa diferença entre posicionar-se acima ou abaixo do nível intermediário do quadro de funções onde atua representa um incremento não somente financeiro, presumo na ordem de 20 à 30% no mínimo, mas também encurta o tempo para ascensão profissional na empresa ou no segmento profissional", explica. Teixeira acrescenta que o ideal é buscar especializar-se em cursos com foco no mercado, em detrimento de cursos mais livrescos, acadêmicos. "Esses são mais recomendáveis para o strictu sensu, mestrado e doutorado", ressalta.
A diretora da pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Helena Pelegrinelli Fungaro, ressalta que o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e necessitando de profissionais qualificados e com perfil inovador. "Vale muito a pena investir na aquisição de novos conhecimentos e incrementar a suas habilidades para executar tarefas. A pós-graduação proporciona maior facilidade de ingresso ao mercado de trabalho e ascensão na carreira daqueles que já estão inseridos". Ela acrescenta que o investimento financeiro feito para cursar uma pós em instituição pública é muito pequeno. "Os cursos de mestrado e doutorados são gratuitos e os melhores alunos ainda são beneficiados com bolsas de estudo. Para quem segue a carreira acadêmica pode-se estimar que a especialização traz incremento salarial em torno de 20%, o mestrado em 45% e o doutorado em 75%".
O coordenador de pós-graduação da Faculdade Pitágoras, Rodolfo Ciciliato, acrescenta que ter uma especialização deixou de ser um diferencial, pelo número de alunos que ingressa todos os anos em cursos de pós-graduação. "O mercado de trabalho procura profissionais que apresentem algum diferencial competitivo e que estejam sempre em busca de novos conhecimentos. Ou seja, quando mais estudo, melhor. Desta forma, quando mais formação o profissional tiver, melhor". Mas ele alerta que é preciso ter cautela na escolha das pós-graduações que o profissional pretende cursar. "É necessário que o profissional pense aonde quer e deseja chegar no futuro e como os cursos escolhidos podem ajudá-lo nessa conquista. Além disso, é necessário conciliar a especialização profissional com a atuação prática", orienta.

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