Prazer e negócios
Curitiba - Seria injusto afirmar que Curitiba é uma das capitais brasileiras do swing (ao lado de São Paulo, Porto Alegre e Belneário Camboriú) apenas porque o comportamento polido dos casais locais atrai os adeptos de outros estados. Muito do sucesso da cidade nesse circuito se deve à casa especializada Desiree Swing Club, criada há 11 anos.
Com estrutura de uma boate convencial, o espaço abre três vezes por semana e recebe cerca de 300 pessoas por noite. A divulgação é feita na base do boca-a-boca e pela internet, em um portal que também hospeda anúncios de casais associados.
O dono, que pede para ser identificado como Camargo, é um empresário veterano da noite curitibana. Comandou uma danceteria normal e foi um dos primeiros na cidade a promover festas no estilo Clube das Mulheres. Swinger de carteirinha, organizava jantares informais para casais por puro gosto. Mas enquanto os encontros ganhavam novos interessados, sua paciência para os clientes da boate se esgotava. Até o dia em que fiquei de saco daquela piazada e resolvi abrir meu próprio clube para casais, conta.
Ele afirma que o Desiree cresceu junto com o movimento do swing no Brasil. Inicialmente freqüentada por 30 casais, a casa ganhou tanto público que teve de se mudar para um lugar maior, fora do Centro. Atualmente funciona num casarão construído em uma espécie de chácara, no bairro de Santa Felicidade. Há também uma franquia londrinense, que Camargo admite acompanhar somente de longe.
A cidade ainda conta com outros dois clubes, igualmente fundados por swingers: Pepper (no Rebouças) e Liberty House (no Parolin). Este último teve a participação de Camargo em sua criação, mas hoje os dois empresários são inimigos mortais por motivos que fogem ao objetivo da reportagem.
Para o dono do Desiree, a casa rival não possui boa estrutura e, por cobrar mais barato, atrai gente de baixo nível. Segundo ele, quem quer ver pessoas jovens e bonitas deve ir ao seu clube. Já o administrador do Liberty, Júnior, sequer considera Camargo um concorrente. Não questiono a estrutura e o resultado financeiro do Desiree. Mas aquilo lá virou apenas uma balada liberal para curiosos. A verdadeira essência do swing está aqui.
Alheio ao debate, o proprietário do Pepper se limita a falar sobre o diferencial de seu espaço. Nosso sistema é de barzinho, e não de balada. Até o som é mais baixo, para o pessoal poder conversar com calma.
O empresário, no entanto, não dispensa uma alfinetada na concorrência. Swing não é para jovem. É para casal que está junto há mais de dez anos e quer sair da rotina. Se você vir muitos jovens num clube, é porque alguma coisa está errada.
Rixas à parte, o fato é que os empreendedores do ramo já presenciaram muitas extravagâncias ao longo dos anos a maioria impublicável. Quantos cadernos você tem aí para anotar?, diverte-se Júnior. Entre outras histórias, ele recorda a de um casal cuja esposa decidiu bater seu recorde pessoal de parceiros numa só noite.
A façanha foi realizada durante uma festa organizada especialmente para a dupla. Para a alegria geral, deu tudo certo: no fim da jornada, a mulher contabilizou relações com 34 homens. Um mês depois, eles foram para Brasília e ela bateu outro recorde. Transou com 41 caras, arremata Júnior.
Camargo também tem seu causo clássico, protagonizado por um casal à primeira vista inexperiente. Segundo o empresário, os dois vestiam roupas certinhas e pareciam constrangidos diante dos strippers que circulavam pelo clube para animar o ambiente. No meio da noite, porém, desapareceram.
Preocupado, o dono do clube foi atrás e os encontrou em meio a uma tremenda orgia, que seguiu até o dia amanhecer. Detalhe: o sujeito só olhava a mulher se divertir. E quando todos se diziam exaustos e loucos para ir descansar em casa, o casal surpreendeu outra vez. Eles contaram que dali iriam direto para o cartório, onde se casariam no civil. Taí um novo conceito de despedida de solteiro. (O.G.)





