PRATO TRADICIONAL - Vedete na hora da fome
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terça-feira, 15 de abril de 2008
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Foi na Rua Moysés Marcondes, no bairro do Juvevê, quando ainda não era asfaltada, que a empresária Rute Geraldina Dorigo inaugurou a Pizzaria Fornão, no ano de 1975. Sempre gostei de cozinha, especialmente a italiana, e a família resolveu abrir o negócio mesmo sem nenhuma experiência no ramo. Os vizinhos ficaram curiosos, perguntavam como venderíamos a pizza, se era inteira ou em pedaços. Ficamos lá por oito anos, até vir para esse endereço na (Rua) João Gualberto, recorda ela, informando que existem outras duas pizzarias Fornão na cidade, e que, hoje, o carro-chefe dos estabelecimentos são as massas.
Dona Rute guardou na memória uma situação inesperada no dia da inaguração do Fornão, há 33 anos. Uma mulher apareceu e perguntou se a gente poderia servir um jantar para 20 pessoas. Estavam os irmãos Queirolo com uma turma de hippies, meio bicho grilo, esperando na porta. Quando entraram, me apresentaram o Caetano Veloso e a Gal Costa, estava também a (produtora cultural) Verinha Walflor. Servimos massa, carne, sopa, pizza e eles comeram bem. Os irmãos Queirolo ficaram tão satisfeitos que retornaram várias vezes com turmas de amigos, lembra a empresária, recordando que chegou a morar no depósito da pizzaria para não ficar longe dos três filhos, que cresceram junto com o negócio.
O mercado de pizzarias ampliou, a pizza sofreu mudanças, ficou mais elaborada, os molhos ganharam condimentos diferentes e as massas outras texturas e tamanhos, a apresentação ficou mais bonita, observa ela, citando que as pizzas tradicionais de Curitiba são napolitana, muzzarela, calabresa e portuguesa. A paixão do curitibano por pizza é antiga. Não esqueço da época em que ía ao Cine Ópera, na Rua XV, e depois matava um pedaço de pizza de balcão com vitamina de frutas no extinto Acrópoles. Era um discão de massa coberto com molho e queijo, que deixava a gente embuchada o resto do dia. Era uma delícia, revela Rute, às gargalhadas.
A pizza de balcão com vitamina, considerada uma tradição curitibana, resiste ao concorridíssimo mercado de pizzarias. O Lanches Itália, localizado à Rua Cândido Lopes, serve a combinação desde 1969, quando foi criado. As pessoas costumavam lanchar aqui depois de sair do cinema, havia o Arlequim, o Cine Ópera e o Plaza. Os estudantes também compareciam em peso, lembra Eliane Moro, gerente da lanchonete e funcionária da casa há 30 anos. A pizza com vitamina é o nosso forte. A pizza é feita com massa de pão, queijo muzzarela, molho e óregano. Vendemos cerca de 50 discos, por dia, disse Eliane. Multiplicando por oito, a lanchonete vende 400 fatias diariamente.
O estabelecimento tem clientela fiel e é disputadíssimo no finalzinho da tarde, quando o cheirinho de pizza invade a rua. A maioria pede a combinação tradicional. Um pedaço de pizza com um copo de vitamina um mix saborosíssimo de frutas com leite , de fato, tem sustância e preço bem aprazível ao bolso, custa R$ 5,00. Minha mãe me trazia aqui, quando eu era pequeno. Minha irmã já traz a filhinha dela aqui. É um costume do curitibano, além de ser gostoso e nutritivo. Depois que como a pizza com vitamina posso enfrentar a faculdade até às 23 horas ou praticar esportes, contou o analista de importação Antônio Duarte, 30 anos.


