Práticas da Wicca são envoltas em mistério
Nenhuma das religiões já citadas instalou-se em Londrina sem antes enfrentar dificuldades. Desde uma simples confusão até a associação direta com a prática de rituais macabros ou demoníacos, todas elas têm a contar histórias de luta, adaptação e busca pelo espaço que lhes é constitucionalmente garantido.
Apesar disso, integrantes da Messiânica, do Portal da Luz e da Wicca afirmam de forma unânime: Londrina é receptiva a novos credos, graças à juventude da cidade e à diversidade cultural que um município de constituição universitária oferece. A opinião, inclusive, é referendada pela doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP), Elena Maria Andrei.
O caso mais complexo é o apresentado pela Comunidade Wicca. As práticas, envoltas sempre em um clima de feitiçaria e mistério, são facilmente associadas à práticas macabras. ''Por isso muitas pessoas preferem estudar sozinhas, em casa, mesmo na hora de realizar um ritual.
''É difícil ter um espaço aberto onde possamos nos encontrar sem passar por algum tipo de constrangimento'', afirma Juliana Ferraccini, a Veronika Morrigan. ''Ainda assim, o ambiente melhorou muito nos últimos 10 anos. Podemos dizer que praticamos nossa religião com relativa liberdade'', diz Juliana Galhardo, a Dreida.
A história da Igreja Messiânica, por sua vez, é de enfrentamento até com a comunidade médica de Londrina, que contestou a aplicação do Johrei. ''A alegação era de que praticávamos a medicina ilegalmente. Isso acontecia porque muitas pessoas saíam do templo se sentindo melhores fisicamente e deixavam de tomar remédios. Foi um simples mal-entendido'', explica o reverendo Heitor. ''Hoje, no entanto, temos uma grande aceitação, a ponto de recebermos visitas de muitas pessoas que continuam a frequentar as religiões de origem, mas que têm interesse pelo Johrei'', conta.
No caso da Associação Portal da Luz, as coordenadoras do Centro afirmam que a comunidade é vítima, até hoje, de pequenas confusões provocadas pelas imagens usadas na decoração do prédio.
Buda, Jesus, Dalai Lama e a Grande Mãe ilustram alguns destes quadros. ''Evangélicos pensam que somos católicos. Católicos pensam que somos da Fraternidade Branca'', afirma Madalena Yabu. ''Mas tudo se esclarece quando explicamos que os preceitos de todas estas religiões são realmente utilizados, mas para um bem comum, que é o equilíbrio espiritual'', conclui Maria Inês Garcia.(A.M.)





