A celebração do Natal e a chegada do Ano Novo criam um momento propício para reflexão, rever os desejos e perspectivas de vida. "No final do ano, as pessoas ficam mais fragilizadas e renovam a esperança com pedidos e promessas para alcançarem algo que está fora da alçada delas, como problemas de saúde, emprego, etc. Sabendo que é falível, a pessoa direciona-se a uma entidade superior que possa resolver um problema sobre o qual ela não tem controle. É uma relação de fé", observa o professor adjunto do curso de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adriano Holanda.
De acordo com o docente, praticamente todas religiões possuem representação parecida com a promessa. "É importante diferenciar a promessa que tem fé do comportamento supersticioso, que não tem crença. Não passar embaixo de uma escada porque dá azar, por exemplo, é superstição, é uma crença irracional, diferente de uma multidão que faz uma peregrinação ou romaria. O que sustenta o comportamento religioso é a atribuição de fé na relação do sujeito com a divindade direta", detalha Holanda.
O comportamento ritualístico pode ganhar esse caráter de troca, de ter um bom comportamento e esperar uma dádiva, mas também há a consciência de que não é porque vai fazer por merecer que vai receber a graça. "Todo comportamento é saudável quando tem funcionalidade na vida do sujeito. Quando perde-se o sentido daquele ato, isola o sujeito de um coletivo e de sua realidade concreta e não objetiva, é que podemos avaliar, talvez, como um comportamento não-saudável", explica.
A partir de janeiro, inclusive, o professor inicia uma pesquisa na universidade sobre Saúde Mental e Religião. "O sacrifício não é nada de dor ou penitência. É colocar nesse ato um peso de significação diferente que o torna sagrado, revalorizá-lo. É focado e fundamentado na prática religiosa. Fazer uma promessa vai da
cultura de cada um e da crença, não há relação com dinheiro, classe social ou faixa etária", conclui Adriano Holanda. (F.G.)

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