Praias desertas, só para os aventureiros
O lugarejo de Santa Luzia tem dois caminhos, um que margeia o rio, e cruza praticamente toda a cidade; outro que sobe morro acima até virar picada no meio do mato. Queremos conhecer "tudo", então vamos primeiro ladeando o rio e descobrindo o comércio local: uma porção de peixarias, estaleiro de barcos e algumas "petisqueiras", como se chamam os restaurantes que servem, basicamente, frutos do mar fresquinhos.
Logo esse caminho termina. Meia volta, vamos desbravar morro acima. Antes, deparamos com um grupo de pescadores, sossegados numa sombra. Tomam cervejinha gelada sentados na calçada, fumam e conversam naquele ritmo lento do interior. Cumprimentamos, sorridentes, retribuem. Ao parar para puxar conversa, ouvimos deles o que já tinha nos dito a mocinha da padaria - seguindo a picada do morro, vamos encontrar "umas praias muito lindas", "tudo deserta", onde poucos turistas se arriscam, mas são recompensados pela paisagem e pelo banho de mar.
Será que vamos achar o paraíso? Os pescadores nos garantem que sim. Conseguimos chegar somente na primeira praia da trilha - adiante, só mesmo de bicicleta, a pé ou a cavalo. O caminho é muito estreito, mas pelo mapa descobrimos que, dali para a frente, são inúmeras praias desabitadas, até chegar a Zimbros, localidade vizinha a Canto Grande, onde começa a badalação do litoral de Porto Belo. Fica a dica para aventureiros de plantão.
Na prainha, descemos do carro para ver de perto e fotografar o "pedacinho de paraíso". Decepcionados, descobrimos que de perto é apenas um trecho de areia grossa e amarela, banhada por mar bravio, amarronzado pela lama típica da Baía de Tijucas e cercado de pedras. Ou seja - nada de banho de mar. Nem de sentar na areia para descansar. Ainda por cima, os tais "turistas" que passaram por ali deixaram um bom tanto de lixo. (B.M.)





