Praça: (a cidade entre parênteses)
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Rafael Urban<br> Equipe da Folha 
Lá pelos idos de 2003, Mariana Sanchez, 28, andava muito pelo Centro. Era o local de pegar ônibus e o bairro em que fica o Núcleo de Estudos da Fotografia, onde ela fazia o curso de Fotografia Documental. Quando a professora e fotógrafa Milla Jung pediu para que cada aluno se definisse por um tema para desenvolver um ensaio, Mariana não teve dúvidas. Não escolheu a Praça Tiradentes por razões conceituais ou estéticas, mas por ser um espaço tão presente no seu dia-a-dia.
Ali, por dois anos, entre 2003 e 2005, registrou o cotidiano da praça, um local da pressa e da espera. "Tem desde a moça sentada no banco esperando o namorado ao apressado, com medo de perder um ônibus", diz.
E Mariana enxergou na Tiradentes não apenas um local de passagem, pois tal como ela mesma, que saía de casa para ir à praça, muitos outros faziam o mesmo - como o pipoqueiro que a questionava em relação à importância de fotografar seu espaço de trabalho.
Optou pela lente grande angular, o que a obrigava a chegar mais perto das pessoas. No começo, as imagens mostravam um cenário distante, com personagens de costas. Aos poucos, Mariana, que vê o trabalho da praça como seu primeiro ensaio fotográfico, foi se aproximando, até chegar bem próxima às pessoas.
Mariana fotografou com película - a jornalista, casada com o fotógrafo Elisandro Dalcin, tinha um laboratório de revelação em casa. Juntos, viajaram por três meses pela América do Sul, ainda em 2005. Fascinada pelo espaço - "praça pode ser praça em qualquer lugar" - fotografou a tal cidade entre parênteses pelos cinco países que visitou: Argentina, Bolívia, Chile, Equador e Peru.


