PR: tão longe do gelo, tão perto da Antártica
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domingo, 07 de dezembro de 2008
Sergio Ranalli<br> Editor da FOLHA 
''A EACF ainda era um projeto e já existiam pesquisadores paranaenses envolvidos na empreitada. Poucos sabem, mas Comandante Ferraz esteve em Curitiba para conhecer trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Biologia Marinha da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Idealizador e realizador do Programa Antártico, Ferraz saiu impressionado com o entusiasmo e produção científica realizada no Estado. Meses depois o projeto brasileiro ensaiava os primeiros passos.
Médico por formação e cientista por paixão, doutor Metry Bacila, 86, professor emérito da UFPR e outras entidades. Com dezenas de trabalhos publicados, acompanhou de perto essa epopéia. ''Montei na universidade o Centro de Biologia Marinha, tínhamos uma atividade muito grande de pesquisa na área. Nessa ocasião, antes da escolha do local e da construção da estação, quem esteve em Curitiba foi o Comandante Ferraz. Conversei longamente com ele'', revela Bacila.
O Capitão-de-Fragata Luiz Antônio de Carvalho Ferraz, que dá nome à estação, era especialista em hidrografia e oceanografia, e foi um dos idealizadores do Programa Antártico Brasileiro, tamanho era seu interesse científico no continente gelado.
A UFPR está presente, de forma ininterrupta, desde a primeira expedição. quando o Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Tefé da Marinha do Brasil visitou vários pontos na Antártica para escolher o local em que foi instalada a estação brasileira.
Este ano, porém, o Estado perdeu a dra. Edith Fanta, da UFPR, pioneira e referência nacional e internacional em pesquisa antártica, representante do Brasil em diversos órgãos do Programa Antártico Internacional. ''Ela faleceu em maio. Foi homenageada em sessão solene do Congresso Nacional.''
Dr. Bacila já esteve três vezes no continente. Na primeira vez, junto com outros pesquisadores, montou o laboratório de pesquisas biológicas, que foi projetado pela UFPR. ''Levamos todos equipamentos necessários, instalamos tudo. Ficamos vários meses, chegamos em novembro e retornamos no fim de março. Desenvolvemos pesquisas muito importantes'', recorda. No entanto, em sua última viagem, chegou a sobrevoar a Estação, mas uma forte nevasca impediu que o helicóptero pousasse.
Os números são expressivos, o grupo já conta com mais de 300 trabalhos científicos publicados. ''Já fui convidado para ir à Itália, Coréia do Sul e Japão, sempre tivemos muita aceitação e consideração pelos nossos trabalhos'', revela Metry. Contudo o pesquisador faz questão de agradecer: ''A marinha brasileira merece um abraço fraternal. Não fora a parte logística deles, esse programa teria sido impossível''.
A base das pesquisas paranaenses são os peixes antárticos, organismos surpreendentemente adaptados à sobrevivência em baixas temperaturas. Em cada operação antártica uma nova pergunta é respondida.
''Já estudamos o comportamento de peixes. O sistema visual, como os peixes procuram alimentos. Como eles exploram o ambiente com diferentes blocos de gelo no mar. Também fizemos estudos de conteúdo estomacal, estudos morfonológicos, adaptação das espécies de peixes em salinidades distintas. Agora, devido ao Ano Polar Internacional, nossas pesquisas estão direcionadas à alteração de temperatura'' , explica a professora da UFPR dra. Lucélia Donatti, pesquisadora que assumiu os trabalhos de Edith Fanta.


